Existem 140 milhões de voluntários na Europa, a grande maioria são cristãos

O cardeal Sarah apresentou as atas do Congresso de Voluntários Europeus

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Por Salvatore Cernuzio

ROMA, terça-feira, 17 de Abril de 2012 (ZENIT.org) – Um total de 140 milhões de pessoas, das quais grande parte são do mundo cristão, estão implicadas de diversos modos na Europa na experiência do voluntariado. É o primeiro dado que o cardeal Robert Sarah, presidente do Conselho Pontifício Cor Unum, quis sublinhar na sua intervenção na apresentação do volume “ O Santo Padre e os voluntários europeus”, na sede do dicastério, na sexta-feira 13 de Abril.

Também participaram da coletiva Michel Roy, secretário geral da Caritas Internationalis e monsenhor Giampietro da Toso, secretário de Cor Unum.

O texto nasce da vontade de chegar a todas as pessoas comprometidas no voluntariado, com suas associações e organizações, para fazê-las reviver o encontro celebrado no Vaticano no 10 e 11 de novembro de 2011, com os bispos e os responsáveis das organizações católicas de toda Europa, com motivo do Ano Europeu do Voluntariado.

O livro recolhe as intervenções principais que animaram o encontro: “Começando pelo discurso dirigido aos voluntários pelo Santo Padre – como explicou o cardeal Sarah – passando pela comissária européia, Kristalina Georgieva, os numerosos convidados que compartilharam suas experiências, e concluindo com o informe final sobre a conformação das atividades caridosas”.

O volume faz parte de uma série de projetos levados pelo dicastério da caridade, ainda em fase de projeto e de “amplo alcance pelo número de realidades implicadas”, afirmou o purpurado.

O objetivo é “ajudar as associações e as estruturas que se encarregam da caridade, não somente desde o ponto de vista da operatividade, mas sobretudo no seu caminho de crescimento espiritual e de identidade”, por meio de instrumentos concretos que garantam um maior apoio.

É possível conseguir esta finalidade, explicou o cardeal, graças à colaboração com o maior número possível de organizações e atores comprometidos nesta “corrida pela caridade”, mas sobretudo graças à sinergia entre Cor Unum e Caritas Internationalis (já acionada com a organização comum dos primeiros apelos do Papa durante a crise do Corno da África), desde sempre “promotores da caridade cristã inspirados pelos ensinamentos do Evangelho e do Magistério da Igreja”.

Para este propósito, o purpurado sublinhou a centralidade do testemunho cristão como primeira forma de ajudar o outro. “Para cumprir sua missão fielmente – disse – os voluntários devem manter o olhar fixo em Cristo e atuar expressando a própria identidade católica”.

“Todas as atividades do Conselho Pontifício Cor Unum – disse – devem ser expressão daquela caridade das obras, por meio da qual o anúncio o Evangelho, que é a primeira caridade, não corre o risco de afogar-se no mar de palavras que a atual sociedade nos expõe cotidianamente”.

“Isto é muito importante – concluiu o presidente de Cor Unum – porque notamos, sobretudo nas Caritas Européias, algumas tendências ao secularismo. Nâo devemos converter ninguém à forças, mas devemos expressar nossa identidade católica e atuar no sentido do Evangelho”.

Com relação às frequêntes acusações às obras de voluntariado de ser uma “forma velada de proselitismo”, o purpurado citou o caso de Orissa, na Índia, no qual “falar de voluntariado é um problema, porque existe o medo de que o cristianismo invada a sociedade hinduísta, estruturada em castas, onde não se concebe o conceito da ‘gratuidade’ e o voluntariado é visto portanto como ‘um modo de evangelizar’”.

Mas não é somente este o motivo da preocupação para os organismos caridosos, mas todas aquelas pessoas “vítimas de pobreza, conflitos, desastres, injustiças e opressões”. Particularmente, os 500.000 voluntários, aproximadamente, da rede mundial de Caritas Internationalis, afirmou o secretário Roy, “não aceitam ver desumanizar a pessoa humana que o Deus amoroso no qual creem criou à sua imagem”.

A missão primária que Caritas persegue, acrescentou Roy, é portanto “irradiar caridade, promovendo justiça social, mobilizando, comprometendo-se, construindo relações fraternas, testemunhando o Evangelho; e isso inclui levar Deus a qualquer pessoa que sofra ou que esteja desorientada”.

Este enfoque, sublinhou o secretário geral, “respeitoso de toda pessoa e toda fé”, que tem como único fim fazer que “as sociedades respectivas de cada credo sejam mais humanas e conscientes dos pobres e dos últimos”.

Para acessar os conteúdos do volume apresentado: http://www.corunum.va/corunum_it/iniziative/eventi.html