Falando claro: o Espírito Santo nos incomoda

Homilia do Papa Francisco na Domus Sanctae Marthae na terça-feira, 16 de abril

Brasília, (Zenit.org) Thácio Siqueira | 1307 visitas

Ontem, (16), durante a missa matinal na Domus Sanctae Marthae, oferecida pelo Papa emérito Bento XVI, em ocasião do seu aniversário, o Papa Francisco falou da necessidade de sermos dóceis ao Espírito Santo, que é uma força que nos incomoda, mas que transforma.

Momentos antes da sua morte, narra a liturgia do dia, Estevão dá um forte testemunho de docilidade ao Espírito. O Papa Francisco destacou as palavras que o mártir pronunciou aos presentes: “Teimosos! Vocês sempre colocam obstáculos ao Espírito Santo”. Dizendo assim, Estevão os acusou de matarem os profetas e só depois venerá-los como santos, disse o Papa. O mesmo aconteceu com os discípulos de Emaús, que foram chamados por Jesus de “Tardos e lentos de coração para acreditar em tudo o que os profetas disseram”. E, falou o Papa, essa mesma resistência ao Espírito Santo é o que acontece conosco.

"Falando claro - denunciou o Papa - o Espírito Santo nos incomoda. Porque mexe conosco, nos faz caminhar, empurra a Igreja para frente. E nós somos como Pedro na Transfiguração: ‘Ah, como é bom estarmos aqui, todos juntos!... mas que não nos incomode. Queremos domesticar o Espírito Santo. E isso não está bem. Porque Ele é Deus e Ele é aquele vento que vai e vem e não sabemos de onde. É a força de Deus, é aquele que nos dá a consolação e a força para seguir adiante. Mas: seguir adiante! E isso incomoda. A comodidade é melhor!”.

Até pareceria que hoje temos mais alegria pela presença do Espírito Santo, mas não é assim. Basta olhar para o Concílio Vaticano II “obra do Espírito Santo”. João XXIII foi fiel ao Espírito Santo, mas hoje, 50 anos depois “fizemos tudo o que nos disse o Espírito Santo no Concílio?”, responde o Papa: “Não. Festejamos o aniversário, fazemos um monumento, mas que não nos incomode. Não queremos mudar. E pior: há pessoas que querem andar para trás. Isso é que se chama ser teimoso, isso se chama querer domesticar o Espírito Santo, isso se chama torna-se tardos e lentos de coração”.

Por fim, o Papa sublinhou que na nossa própria vida pessoal temos também essa experiência com o Espírito Santo. Resistimos às suas inspirações. Portanto, exortou no final da homilia: “Não resistir ao Espírito Santo: essa é a graça que eu gostaria que todos nós pedíssemos ao Senhor: a docilidade ao Espírito Santo, àquele Espírito que vem de nós e nos faz seguir adiante no caminho da santidade, aquela santidade tão bonita da Igreja. A graça da docilidade ao Espírito Santo. Amém”.