Falar, viver e testemunhar a fidelidade do sacerdócio

Testemunho de vida sacerdotal suscita novas vocações, diz cardeal Scherer

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Por Alexandre Ribeiro

SÃO PAULO, sexta-feira, 30 de abril de 2010 (ZENIT.org).- As notícias ruins envolvendo parte do clero não devem fazer calar o testemunho de fidelidade do sacerdócio, considera o arcebispo de São Paulo.

Segundo o cardeal Odilo Scherer, é preciso continuar a falar sobre vocações sacerdotais, além de difundir os bons exemplos e testemunhos de padres que exercem com esmero seu ministério.

Em artigo dessa semana no jornal arquidiocesano O São Paulo, Dom Odilo recorda que no domingo passado foi celebrada a 47ª Jornada Mundial de Oração pelas Vocações, em que a Igreja “reza e pede para que não faltem continuadores autênticos da missão do bom Pastor”.

O cardeal recorda que a Mensagem de Bento XVI para esta ocasião está relacionada com o Ano sacerdotal: “o testemunho suscita vocações”.

“Embora o chamado seja, acima de tudo, fruto da ação gratuita de Deus, ele também é favorecido pela qualidade do testemunho pessoal e comunitário daqueles que já são padres e exercem o ministério sacerdotal”, afirma Dom Odilo. 

“Quantos despertaram para a vocação sacerdotal porque foram marcados pelo exemplo e o testemunho de um outro padre! Quantos seguiram o exemplo de Inácio de Loyola, de Dom Bosco, de Filipe Néri, de São João da Cruz...”

O cardeal enfatiza que “o testemunho de vida sacerdotal suscita novas vocações. E ainda hoje isso também acontece”.

Dom Odilo explica que Bento XVI, em sua Mensagem, enumera alguns “elementos fundamentais” que devem marcar a vida sacerdotal.

Trata-se da “amizade com Cristo, com quem se aprende a ‘estar na companhia de Deus’; a entrega total da vida a Deus, que se traduz, depois, na entrega total e jubilosa aos irmãos, confiados ao ministério pastoral do padre; e o testemunho de sincera comunhão fraterna com os outros padres, que é a característica dos discípulos de Cristo”.

“Tudo isso pode despertar em outros jovens o desejo de viver de forma semelhante também”, afirma.

Segundo o cardeal, “em tempos de divulgação de escândalos sobre comportamentos sacerdotais, poderia vir a tentação de calar, de não dizer mais falar sobre a vocação sacerdotal...”

“Com tanta notícia ruim sobre ‘padres’, que efeito poderia ter uma reflexão sobre a vocação sacerdotal? Essa seria a lógica derrotista...”

No entanto – prossegue Dom Odilo –, “devemos continuar a falar, a viver e a testemunhar de forma alegre e humilde a fidelidade do sacerdócio, tornando conhecidos os exemplos de santos sacerdotes”.

“Não esqueçamos que a vocação é, acima de tudo, fruto da graça de Deus; e lembremos também: na história da Igreja, foram justamente os tempos de crise os mais fecundos no surgimento de novas vocações e iniciativas frutíferas para a formação sacerdotal.”