Falece coordenadora da Pastoral da Criança em Luanda (Angola)

Maria Isabel é a segunda integrante da Pastoral a falecer depois de acidente automobilístico. Ela estava a caminho de um encontro para capacitação de agentes.

Brasília, (Zenit.org) Lilian da Paz | 385 visitas

Nesta terça-feira, 3 de junho, faleceu Maria Isabel, coordenadora da Pastoral da Criança na arquidiocese de Luanda (Angola). Residente no município de Kilamba Kiaxi (Luanda), Maria tinha sobrevivido a um acidente automobilístico que sofreu no dia 7 de maio, na região de Saurimo.

Com Maria estava Albertina Teresa Alberto, assessora nacional da Pastoral da Criança de Angola e moradora da cidade de Lobito (Benguela). No começo do mês de maio as duas partiram em viagem para a diocese de Dundo (Lunda Norte). Lá elas participariam de um seminário de capacitação de líderes para a Pastoral da Criança diocesana, entre os dias 8 e 11 de maio.

A Pastoral da Criança Nacional está em fase de expansão com diversos projetos de formação de equipes locais. Por isso, a coordenação nacional se desdobra em ações de assistência nas várias dioceses de Angola.

Segundo comunicado da Pastoral da Criança de Angola, Maria Isabel e Albertina Teresa saíram do aeroporto de Luanda no dia 6 de maio de 2014 com destino a Saurimo. Depois de pernoitarem já na cidade de Saurimo, na casa da coordenadora diocesana da Pastoral daquela região, se dirigiram, na manhã do dia 7 de maio, para Dundo.

Após de percorrer alguns quilômetros, a viatura em que estavam capotou por excesso de velocidade. No acidente, Albertina Teresa perdeu a vida na hora, enquanto Maria Isabel sofreu várias fraturas, permanecendo em estado de observação no Hospital Central do Sarimo. Na ocasião, a Pastoral da Criança Nacional se entristeceu imensamente com a perda de Albertina, reconhecendo-a como ‘ilustre colaboradora’.

Com a notícia da morte de Maria Isabel, a Coordenação Nacional da Pastoral da Criança lamentou o ocorrido em nota divulgada no site da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé:

A Coordenação Nacional da Pastoral da Criança, profundamente ferida lamenta o acontecimento e une-se à dor dos familiares e de todos os líderes da Pastoral da Criança de Luanda e de Angola.

Pastoral da Criança em Angola

Os serviços da Pastoral da Criança no país têm se desenvolvido ano após ano. Em 4 de outubro de 2013, a Pastoral abriu mais uma sede, desta vez na capital angolana sob a bênção de dom Joaquim Ferreira Lopes, então bispo local. 

A sede doada à Pastoral da Criança está localizada na região de Zango. A doação veio do Ministério do Urbanismo e Construção e remodelada pela Kamba do Bem, associação constituída pelas mulheres dos dirigentes da uma empresa de engenharia e construção civil.

A coordenação nacional da pastoral disse, na ocasião, que a estrutura vai servir para a formação de líderes em todo o país. “O nosso objetivo é formar as famílias para intervenção nas comunidades”, afirmou o padre João Ndele, um dos líderes da coordenação.

Até aquele momento a Pastoral da Criança não tinha sede própria em Luanda para a formação. Por isso havia a necessidade de recorrer sempre à cidade de Benguela, onde está a sede nacional. A presença na região do Zango possibilitou a abertura de uma nova página na história da Pastoral.

Zilda Arns em Angola

Em 2008, Zilda Arns, falecida fundadora da Pastoral da Criança, esteve em missão no pais com a equipe internacional da Pastoral. Na oportunidade, Zilda participou de um encontro que procurou somar esforços para a redução da desnutrição, mortalidade infantil e violência doméstica em Angola.

De acordo com dados do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), uma pesquisa daquele ano sobre a situação mundial da infância constatou que Angola tinha uma altíssima taxa de mortalidade infantil: de cada mil nascidos vivos, 154 crianças morriam.

As voluntárias angolanas da Pastoral são capacitadas com a mesma metodologia brasileira: compartilham conhecimento por meio da solidariedade. Assim, de acordo com a realidade local, reúnem forças e estratégias de ação para vencer os desafios impostos pela miséria do país.

Na ocasião, Zilda sublinhou a questão. "Há necessidade de intensificar, atualizar e consolidar a aplicação da metodologia na Angola, com o aperfeiçoamento e capacitação de mais voluntários e com a implantação do Sistema de Informação para melhor avaliar os resultados".

Em Angola, Zilda também teve encontros com representantes de organismos internacionais que atuam no país: Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), Organização Mundial de Saúde (OMS), Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), Programa Alimentar Mundial (PAM), entre outras.

Desde 1996, a Pastoral da Criança vem traçando iniciativas para reverter o quadro de altas taxas de mortalidade infantil e malária. A primeira formação da Pastoral naquele ano foi feita pela própria Zilda e capacitou 17 mulheres em Lobito, cidade portuária de onde saíram os escravos para o Brasil.