Faltou vinho na festa

Coluna de orientação catequética aos cuidados de Rachel Lemos Abdalla

Campinas, (Zenit.org) Rachel Lemos Abdalla | 1493 visitas

O Evangelho das Bodas de Caná (Jo 2,1-11) traz, nitidamente, o exemplo da relação de amor e respeito entre filho e mãe, e vice e versa, porque a Mãe intercede em favor de seus filhos junto ao Seu Filho que lhe é solícito. Maria, ao falar para Jesus sobre a escassez do vinho na festa de casamento, mostra, na verdade, a sua atenção voltada para as carências dos homens. Ela foi a primeira discípula e a mais perfeita, abrindo o Caminho para todos aqueles que desejam seguir a Jesus; a primeira Mestra dos discípulos...aquela que intercede pela necessidade dos homens[1], ensinando a esperança, a caridade e a confiança em Deus; e, movida pela compaixão, leva Jesus a se revelar e dar início aos seus milagres[2], a fim de que todos conheçam o Messias, o Filho amado de Deus, e glorifiquem o Pai. Ela é o maior exemplo de dedicação e seguimento de Jesus!

Tudo aconteceu porque faltou vinho naquele dia, naquela festa, assim como está faltando amor na vida e nos relacionamentos, nos lares, nos berços, nas gestações, entre os casais e irmãos. O vinho nas bodas é o sinal do amor na vida do casal e, esse sentimento que hoje é tão banalizado, é a essência do ser humano que foi gerado por Aquele que é Amor.

Todos precisam receber amor, porém, as crianças precisam declaradamente deste afeto incondicional, desta dedicação ímpar, deste sentimento que acolhe, para que cresçam e sejam exemplos e sinais de humanidade, de solidariedade e de esperança no mundo.

Faltou vinho na festa, assim como está faltando a presença dos pais na vida dos filhos e o respeito dos filhos para com os pais. É preciso reavaliar a paternidade e a maternidade responsáveis, que são compromissos sociais e cristãos dos pais com a sociedade e, principalmente, com Deus!

Faltou vinho na festa, assim como falta a paciência na educação e a perseverança na prática das virtudes. Os filhos são o reflexo do comportamento dos pais: tornam-se agressivos ou pacíficos, bondosos ou indiferentes, conforme aquilo que vivenciam no dia a dia.

Faltou vinho na festa, assim como falta a orientação dos pais para que seus filhos caminhem junto com eles de mãos dadas com Jesus, dando exemplo de fé e sendo espelho que reflete os passos a serem seguidos. Na família, como numa igreja doméstica, os pais devem, pela palavra e pelo exemplo, ser para os filhos os primeiros arautos da fé e favorecer a vocação própria de cada um, especialmente a vocação sagrada.[3]

Faltou vinho na festa, assim como falta a fé em Jesus Cristo no mundo, porém 'em Caná, Maria aparece como quem acredita em Jesus: a sua fé provoca n'Ele o primeiro "milagre", contribuindo para suscitar a fé dos discípulos'[4]. Maria é a discípula que nos leva até Jesus e nos ensina a obedecê-Lo, despertando a fé nos corações.

Está faltando vinho em sua casa? É preciso ser como Maria, ter Jesus ao seu lado e a confiança que só Ele pode transformar a água (sinal da humanidade) em vinho (sinal de uma vida envolvida na divindade).

Os pais e catequistas precisam ser exemplos e ensinar as crianças a fazerem também a sua parte, enchendo de água a vasilha da vida, exercitando as virtudes e praticando atitudes cristãs, acreditando que Deus as aceita e as transforma em vinho novo, ou seja, em amor, sentimento que torna o mundo mais humano, mais justo e mais fraterno.

*Rachel Lemos Abdalla é Fundadora e Presidente da Associação Católica Pequeninos do Senhor e Coordenadora da Catequese de Famílias da Paróquia Nossa Senhora das Dores em Campinas, São Paulo - Brasil.

Site: www.pequeninosdosenhor.org

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[1] Carta Apostólica Rosarium Virginis Mariae, do Sumo Pontífice João Paulo II

[2] Constituição Dogmática Lumen Gentium – Sobre a Igreja - 58

[3] Constituição Dogmática Lumen Gentium– Sobre a Igreja- 11

[4] Carta Encíclica Redemptoris Mater, do Sumo Pontífice João Paulo II - 21