Família, desafio mais importante para Igreja na Rússia

Declarações de Jerzy Steckiewicz

| 963 visitas

ROMA, domingo, 27 de julho de 2008 (ZENIT.org).- O vigário episcopal de Kaliningrado, Jerzy Steckiewicz, explicou que, atualmente, a promoção da família é o desafio mais importante que a Igreja enfrenta na Rússia.

Segundo indicou a associação católica internacional Ajuda à Igreja que Sofre, o enfraquecimento da instituição familiar é prejudicial para toda a sociedade, razão pela qual uma das tarefas mais importantes da Igreja é apoiar as famílias.

«Precisamos de famílias felizes que dêem testemunho da fé», sublinhou.

Dado o alto índice de divórcios, a Igreja russa dá uma especial importância a uma boa preparação para o matrimônio.

O prelado destaca que a família deve ser um verdadeiro lar de amor, porque isso tem conseqüências para o futuro do país.

Ele informa que a Igreja Católica dirige em Kaliningrado um «centro de ajuda às famílias», onde se organizam conferências e cursos de especialistas sobre educação infantil, planejamento familiar, pastoral matrimonial, etc.

Além disso, a Igreja Católica contribui com numerosas atividade para o «Ano da Família», declarado, para toda a Rússia, pelo atual ex-presidente Vladimir Putin, e também convida clérigos ortodoxos para suas atividades.

É motivo de satisfação para Steckiewicz o fato de que na Rússia se haja aberto um debate sobre o aborto. A Igreja Católica e a Igreja Ortodoxa Russa se esforçam por igual em fazer as pessoas se conscientizarem do valor da vida, porque na época comunista o aborto era uma forma de planejamento familiar praticamente normal.

O vigário episcopal explica que, neste momento, está nascendo a consciência de que se trata de algo «grave e prejudicial», circunstância que desperta esperança, pois é importante que os cristãos católicos e ortodoxos defendam conjuntamente o valor da vida.

Ele também assinala que o contato com a Igreja Russo-Ortodoxa é sempre muito positivo, e acrescenta que é triste que os cristãos ortodoxos de sua região disponham de tão poucas igrejas. Segundo ele, um importante elemento unificador das Igrejas Ortodoxa Russa e Católica reside em «assumir uma responsabilidade sócio-caridosa nos diferentes níveis da sociedade, desde um fundo de valores cristãos compartilhados».

Em Kaliningrado, que com 5% de católicos é a área com mais representação católica da Rússia, registram-se cada mais casamentos e batizados católicos, informa o vigário episcopal.

Na cidade e na região com o mesmo nome, que até o final da II Guerra Mundial pertenceram à Alemanha, para depois passar a ser um enclave russo com acesso ao Mar Báltico situado entre a Polônia e a Lituânia, estiveram proibidas todas as paróquias cristãs durante o comunismo. Até 1985 não se voltou a fundar uma paróquia ortodoxa, e em 1991 surgiram uma católica e uma protestante. Atualmente, a região conta com 23 paróquias católicas.

O prelado indica que casamentos, enterros e batizados são uma forma importante de voltar a conduzir à fé pessoas com antepassados católicos, porque, ainda que muitos somente assistam a essas cerimônias por tratar-se de familiares ou amigos, a participação desperta em alguns o interesse pela religião e a lembrança da fé que seus avós professaram. Para transmitir a beleza da fé, os sacerdotes se esforçam por organizar celebrações belas e dignas.

Freqüentemente, também os jovens que são batizados se tornam multiplicadores, pois falam com amigos e familiares de suas experiências, chegando assim a pessoas com as que normalmente os sacerdotes não entrariam em contato. O vigário geral também destaca a importância da catequese infantil, que freqüentemente reconduz os pais à Igreja.

Ao ser perguntado sobre o número exato de católicos em Kaliningrado, o vigário geral, oriundo de Szczecin (noroeste da Polônia), responde: «A isso eu posso lhes responder de forma muito precisa: cada vez são mais!».

No entanto, também acrescenta que faltam vocações nativas, e que a maioria dos sacerdotes continua sendo composta por estrangeiros.

O prelado precisa que, até agora, só existem 3 sacerdotes oriundos de Kaliningrado, além de 3 seminaristas e 3 religiosas, e indica que também no âmbito da promoção das vocações religiosas a Igreja aposta na família.