Família: uma escola para aprender o significado do trabalho

Deve-se redescobrir e ensinar aos mais jovens a gratuidade e a disciplina

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MILÃO, sexta-feira, 1 de junho de 2012 (ZENIT.org) - Na segunda sessão da tarde do VII encontro Mundial das Famílias, no dia 30 de maio em Milão, Padre Ugo Sartorio, diretor do Mensageiro de S. Antonio e moderador da mesa-redonda sobre Ajudar os filhos a descobrir o sentido profundo do trabalho lembrou na abertura que, talvez, hoje, como alguém escreveu, "a educação não acabou", mas certamente se esgotou, dado o assédio à qual está submetida ...Em um período de baixa tensão educacional, avocacional , em que não há mais referência nem ao outro e nem ao Alto, hoje mais que nunca o educador é uma testemunha.

Como diz o cardeal Scola no livro Famiglia, risorsa decisiva (Edizioni Messaggero Padova 2012), não é possível dizer sem dizer-se, nem dar sem dar-se, o primeiro a falar foi Gerardo Castillo Ceballos, professor de Pedagogia da Universidade de Navarra, que com a sua esposa Julia Albarrán criou 6 filhas e 22 netos. O premente convite foi o de superar a mentalidade utilitarista da sociedade de hoje, lembrando a totalidade da pessoa que dizia  João Paulo II e que também se aplica à família: uma escola onde se ajuda a cada filho a descobrir o sentido profundo do trabalho, que favorece a humanização do homem e das suas relações familiares e sociais.

O trabalho é oportunidade e meio para desenvolver as próprias capacidades e crescer nas virtudes humanas e cristãs. Dos pais se espera que promovam nos filhos o hábito do trabalho, estimulando-os com o próprio exemplo e com o hábito do serviço.

Portanto, é necessário promover situações e experiências de trabalho doméstico, com estudo e trabalhos ocasionais que ajudem a crescer. Da mesma forma, cabe aos pais ajudar seus filhos a descobrirem a própria vocação "de vida", em paralelo com a descoberta da vocação cristã.

Em seguida correspondeu a Antoine Renard – presidente das Associations Familales Catholiques e da Fédération Familiales Catholiques en Europe – rebater junto com a mulher Anna Isabelle o quanto, na sociedade competitiva de hoje, a gratuidade e a disciplina devem ser redescobertas por todos e ensinadas aos mais jovens como valores positivos para viverem uma vida plena e libertadora.

Concluiu as intervenções Eugenia Scabini, há tempo diretora do Centro di Ateneo Studi e Ricerche sulla Famiglia e até o ano passado presidente da Faculdade de Psicologia da Universidade Católica de Milão. Scabini observou que a inclusão do termo "trabalho" no título do Encontro Mundial das Famílias indica um desafio cultural que não devemos abaixar a guarda. Já na Encíclica Laborem Exercens (1981), João Paulo II descrevia a família como "primeira escola de trabalho" (n. 9), e é verdade: nas paredes da casa se aprende a levar adiante as tarefas, fazendo-as bem, e colaborando reconhecendo-se responsáveis pelo ambiente comum de vida.

Em família se experimenta que não é possível realizar-se sozinho, mas que a relação com os outros é essencial para dar sentido e substância à própria vida: um modo de ver e de pensar que se transfere também na concepção da profissão, plenamente parte da própria vocação e elemento crucial na construção de uma identidade completa adulta.

Uma segunda mesa redonda entre os relatores – no qual notou-se que mais que de “prazer”, é mais correto falar de “gosto” no próprio trabalho – por fim mostrou como o educar seja portanto bem mais que um “tirar fora” o projeto que cada um de nós tem dentro, mas é um “nutrir” e um “conduzir” que dá a direção para afrontar a realidade de modo positivo.