Fé dos cristãos em Deus vai bem além de ideias genéricas, diz cardeal

De um “eu acho”, passamos a um “eu creio”, destaca Dom Odilo Scherer

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SÃO PAULO, quarta-feira, 10 de junho de 2009 (ZENIT.org).- O arcebispo de São Paulo, cardeal Odilo Scherer, assinala que a fé dos cristãos em Deus “vai bem além de algumas ideias genéricas”.

Dom Odilo afirma –em artigo divulgado na edição desta semana do jornal arquidiocesano O São Paulo– que, “de fato, não basta ter uma ideia genérica de Deus, nem ficar com um simples ‘eu acho’”.

“Os cristãos são convidados a se colocarem diante do Mistério Santo, assim como Ele se manifestou ao mundo”, considera o arcebispo.

“Sem dúvida –explica o cardeal Scherer–, todos podem ‘achar’ algo sobre Deus, mas os cristãos têm uma maneira muito própria de falar de Deus, transmitida pela Igreja, conforme ela mesma aprendeu de Jesus e dos apóstolos.”

“De um ‘eu acho’, nós passamos a um ‘eu creio’; e não o fazemos apenas de maneira individual, mas junto com a inteira comunidade de fé, aquela que vive agora e aquela que já nos precedeu na mesma profissão de fé.”

Segundo o arcebispo, “como nós cremos em Deus, assim também creram os apóstolos, os grandes mestres e doutores da transmissão da fé, os santos e os mártires, os grandes místicos e pregadores, os missionários e os pastores da Igreja. Cremos com o nosso pároco, com nosso bispo e com o Papa. Não estamos sozinhos, mas em boa companhia”.

Dom Odilo sublinha que “o Mistério do nosso Deus é por nós conhecido como Pai, Filho e Espírito Santo; é a Trindade Santíssima, um único Deus, mas em três pessoas distintas; a mesma natureza e dignidade divinas, mas com ações diferentes, realizadas na criação e na obra da salvação”.

Na celebração da Santíssima Trindade, explica o arcebispo, a Liturgia da Igreja condensa em algumas “expressões preciosas” a sua fé em Deus.

“Nosso Deus manifestou-se, não permaneceu inatingível ao homem; agiu e age, de muitas maneiras, portanto, não é um Deus ‘imóvel’ e inoperante; é um Deus que vem em socorro do homem e não permanece indiferente diante dos seus sofrimentos e angústias.”

“Não é também um Deus mecânico, quase como uma máquina que age automaticamente, mas tem coração e ama, é vivo e faz viver, comunicando dinamismo e vida às suas criaturas; é um Deus presente e manifesta seus caminhos e seu desígnio ao homem, não abandonando a criatura à própria sorte.”

Dom Odilo recorda que São Paulo traz outros “elementos preciosos” para a compreensão cristã de Deus. “A Trindade Santa nos envolve de carinho e nos faz viver relações familiares com Deus”.

O Filho de Deus veio ao mundo para ser “irmão de cada ser humano, para fazer de nós filhos e filhas de Deus! ‘Filhos no Filho’, dirá ainda São Paulo. E recebemos o Espírito Santo, para termos desde agora a capacidade de viver como filhos de Deus; podemos, assim, chamar Deus de “abbá” – papai!”

E somos também –sublinha Dom Odilo– “destinados a sermos herdeiros de Deus, co-herdeiros com Cristo, ‘na casa do Pai’. Nossa fé em Deus, portanto, vai bem além de algumas idéias genéricas. E como é bonita e envolvente”, afirma o cardeal.