Fé e comunhão de pai para filho

Coluna de orientação catequética aos cuidados de Rachel Lemos Abdalla

Campinas, (Zenit.org) Rachel Lemos Abdalla | 1332 visitas

Toda a humanidade é chamada a viver, assim como viviam os primeiros cristãos, conforme está escrito no livro dos Atos dos Apóstolos 2,42-47: 'Perseverando na doutrina dos apóstolos, na reunião em comum, na fração do pão e nas orações... unidos e tendo tudo em comum... dividindo segundo a necessidade de cada um... louvando a Deus...'

E é, primeiramente, no seio da família que aprendemos e compreendemos como viver em comunidade. A família é a fonte primeira do Amor de Deus, onde o homem e a mulher cumprem o seu papel de colaboradores na obra da criação, e nela está, também, a semente da fé.

Assim como a semente da vida está inserida no corpo e cresce até estar pronta para gerar nova vida, a semente da fé é inserida pelo Espírito Santo em terra fértil no coração dos homens, no momento do Batismo, e precisa ser cultivada para crescer e se fortalecer.

Mas o que é a fé? De uma forma simples e clara, podemos entender que a fé é acreditar na presença e ação de Deus no mundo junto aos homens, na pessoa de Jesus Cristo, ontem, hoje e sempre.

"O motivo de crer não é o fato de as verdades reveladas aparecerem como verdadeiras e inteligíveis à luz da nossa razão natural. Cremos por causa da autoridade de Deus que revela e que não pode nem enganar-se e nem enganar-nos. Só é possível crer pela graça e auxílio do Espírito Santo, é um dom de Deus, embora seja um ato autenticamente humano".[1] um dom, porque é Deus que toma a iniciativa e vem até nós; e assim a fé é uma resposta com a qual nós O acolhemos como fundamento estável da nossa vida. É um dom que transforma a existência, porque nos faz entrar na mesma visão de Jesus, o qual age em nós e nos abre ao amor a Deus e aos outros'.[2]

Entendemos que viver a fé é viver coerentemente com os ensinamentos de Jesus, e isso faz parte da orientação cristã que deve ser passada de pai para filho, no cotidiano da vida, na perseverança daquilo que se acredita sem se deixar seduzir pelos falsos valores do mundo; e, também, na catequese. Assim, as crianças vão sendo introduzidas dentro da barca de Pedro, ou seja, na Igreja, inseridas na comunidade cristã a partir da experiência na própria família.

Fazemos parte do povo de Deus a caminho, e a Igreja é a nossa casa, onde nos encontramos com os irmãos que partilham a mesma fé, numa mesma comunhão, cuja 'dimensão vertical nos remete a Deus e a dimensão horizontal, nos situa entre os homens. E é, ali, na Comunidade eclesial que a fé pessoal cresce e amadurece'.[3]

'Num mundo onde o individualismo parece regular as relações entre as pessoas, tornando-as cada vez mais frágeis, a fé chama-nos a ser Povo de Deus, a ser Igreja, portadores do amor e da comunhão de Deus por todo o gênero humano'.[4]

Que as crianças sejam introduzidas na Igreja não apenas para cumprimento de preceito, mas como partícipes da vida eclesial, como membros atuantes do povo de Deus, de uma comunidade ativa de discípulos missionários de Cristo, exemplo de amor, de fraternidade, de respeito e de dignidade cristã no mundo.

*Rachel Lemos Abdalla é Fundadora e Presidente da Associação Católica Pequeninos do Senhor e Coordenadora da Catequese de Famílias da Paróquia Nossa Senhora das Dores em Campinas, São Paulo – Brasil; e é membro da 'Equipe de Trabalho' do 'Ambiente Virtual de Formação' da Arquidiocese de Campinas.

Site: www.pequeninosdosenhor.org

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[1] CIC 153-156

[2]O Ano da Fé. A fé da IgrejaPapa Bento XVI – Audiência Geral

[3] Congregação para a Doutrina da Fé – Carta aos Bispos da Igreja Católica sobre alguns aspectos da Igreja entendida como comunhão, 3

[4] Constituição PastoralGaudium et spes, 1