Fé é dom que devemos agradecer a Deus, diz cardeal

Para D. Eusébio Scheid, fé é uma das maiores riquezas espirituais e morais

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RIO DE JANEIRO, quarta-feira, 18 de agosto de 2010 (ZENIT.org) – A fé “é um dom que devemos agradecer a Deus. Ela nos faz superar a escuridão da vida e as dificuldades”, afirma o arcebispo emérito do Rio de Janeiro, cardeal Eusébio Scheid.

“A fé é uma das maiores riquezas espirituais e morais que temos. Porém, nós não a conquistamos. Ela é um dom de Deus, que recebemos no Batismo, quando nos tornamos participantes da vida divina”, diz o arcebispo, em artigo divulgado pelo site da arquidiocese do Rio nessa segunda-feira.

Segundo o cardeal, a fé é um processo que acompanha toda a vida. “Quando ainda pequeninos, a fé é semente a germinar em nós. Quando crescemos, ela vai se desenvolvendo”.

Entretanto  – prossegue o cardeal –, a fé “só atinge a plena maturidade quando passa pelas provações”. “Na pluralidade do mundo atual, elas são de tamanha monta, que chegam a configurar um ‘martírio das consciências’, a que estão expostos os homens e mulheres do nosso tempo.”

Dom Eusébio considera “abençoados os que chegam à idade avançada com uma fé adulta, purificada no cadinho das provações”. “Chamo a essa fase de ‘catedral da existência’, o topo mais elevado da nossa vida, no qual a sabedoria deve dominar.”

Por isso – prossegue o arcebispo emérito –, “o ancião vive da esperança na vida futura, que ele procurou semear aqui na terra, da melhor maneira possível. E ele também reza na esperança, para que as próximas gerações tenham uma vida ainda mais cheia de sentido que a sua”.

Segundo o cardeal Scheid, a fé “é absolutamente certa, porque seu conteúdo é de origem divina”. “Deus nos revela seu próprio Mistério, o mistério do homem e o mistério do mundo e da história. A fé é meritória e luminosa, embora com um brilho bruxuleante, que mais insinua do que difunde a luz. Diz a Carta aos Hebreus que ‘a fé é a certeza a respeito do que não se vê’.”

Dom Eusébio explica que a fé “é certa, porém não evidente”. “Pela lógica, sabemos que a evidência obriga a aceitar a verdade. O que é evidente não se discute, nem se pode negar, sob pena de cair no absurdo”.

“A fé não pode ser evidente, senão seria obrigatória. E ela é o nosso ato mais livre, plena adesão de confiança no Deus que se revela. E quanto maior é a liberdade, tanto maior é o merecimento”, afirma.

Segundo o cardeal, “empreender o salto daquilo que é evidente, para o que está no âmbito da fé, é prova de humildade, somente possível mediante a graça. Ela é que nos dá condições para uma fé verdadeiramente sólida”.

“Do contrário, cairíamos novamente na mesma tentação demoníaca, que seduziu nossos primeiros pais: ‘comer o fruto’ da soberba, buscando chegar à verdade a partir de nossa própria inteligência. Eis a origem de toda desordem na história do mundo.”

A fé é dom que se deve agradecer a Deus, faz “superar a escuridão da vida e as dificuldades, nos faz agradáveis a Deus, e torna possível o cumprimento de sua Vontade, pela abertura que nos proporciona à ação da graça”.

“A fé – afirma o cardeal Scheid – nos faz superar tudo que é imanente, lançando-nos na entrega total à invisível transcendência de Deus. ‘Sem fé, é impossível agradar a Deus’.”