Fé sob ataque

Múltiplos ataques na sociedade pós-cristã

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Pe. John Flynn, LC



ROMA, domingo, 15 de julho de 2007 (ZENIT.org).- A hostilidade em relação ao cristianismo está-se tornando cada vez mais um fato comum em muitos paises. Até nos países mais católicos a religião sempre encontrou oposição, mas como os recentes eventos demonstram, os fiéis estão-se deparando com freqüentes episódios de animosidade, seja por indivíduos ou instituições.

O cardeal Carlo Caffarra, arcebispo da cidade italiana de Bolonha, protestou fortemente contra uma representação blasfema da Virgem Maria, parte de uma exibição de arte local. Em 19 de junho, o cardeal presidiu uma missa de reparação pela ofensa, celebrada no templo mariano de São Lucas, conforme reportou o diário Avvenire no dia seguinte.

Ainda que autoridades civis tenham ficado longe da exibição, seguindo os protestos da Igreja, os trabalhos de arte foram patrocinados pelo governo local de Bolonha.

Apenas alguns dias depois veio uma notícia da Espanha, onde o jornal La Razón noticiou que em 23 de junho investigações legais estava em andamento em relação a imagens pornográficas de santos. Francisco Muñoz, oficial do Partido Socialista encarregado dos temas culturais na região espanhola de Extremadura, denunciado por seu papel em conceder patrocínio oficial a livros do fotógrafo José Antonio M. Montoya.

Os livros continham fotos blasfemas de natureza pornográfica não somente em relação a santos, mas também sobre Jesus e Maria. Os livros foram publicados por autoridades do governo local e um deles também continha um prefácio escrito por Montoya.

Quando os livros foram publicados este ano, as autoridades eclesiais fizeram fortes protestos. Uma nota de 15 de março de um comitê da Conferência Episcopal espanhola pedia maior respeito pela fé católica. As imagens contidas nos livros não somente são uma ofensa contra os crentes, mas perturbam a consciência de toda pessoa honrada, afirmava o documento.

Neo-pagãos

Enquanto isso, na França, autoridades prenderam três jovens acusados de ser responsáveis por uma série de profanações de igrejas em maio, incluindo uma capela do século XVI que foi queimada por inteiro. De acordo com uma reportagem publicada no jornal Le Monde em 26 de junho, os homens foram presos no dia 21 de junho pela policia da cidade de Quimper, na região da Bretanha, no noroeste do país.

Os homens escreviam as inicias TABM nos lugares onde realizavam seus ataques, e anteriormente pensava-se que eles pertenciam a um grupo satânico. Depois se descobriu que os homens pertenciam ao grupo neo-pagão chamado «True Amorik Black Metal».

Uma ofensa de natureza diferente foi confrontada pela Igreja da Inglaterra recentemente. A empresa de mídia Sony incluiu imagens de uma violenta troca de tiros na Catedral de Manchester como parte de um de seus novos jogos para o console de vídeo-game Playstation 3, como noticiou o jornal Times em 13 de junho. O deão da catedral, Rogers Govender, descreveu o jogo como um «sacrilégio virtual».

Após protestos da Igreja Anglicana, apoiados no Parlamento pelo então primeiro-ministro Tony Blair, a Sony se retratou, segundo o Times, dois dias depois. A empresa disse que eles não tinham intenção de causar ofensa, mas ao mesmo tempo não indicaram que iriam retirar qualquer coisa do jogo ou atender ao pedido de que fizessem uma doação para o trabalho da catedral em educar os jovens contra o crime.

O paganismo também retornou na Grécia, segundo o jornal britânico The Guardian, em 1 de fevereiro. O artigo fala sobre uma recente cerimônia pagã presidida pela autodenominada sacerdotisa Doreta Peppa, nas ruínas de um templo Ateniense dedicado ao antigo deus grego Zeus. De acordo com o Guardian, esta foi a primeira cerimônia do tipo desde que o Império Romano abandonou as religiões pagãs no quarto século.

De acordo com o artigo, no ano passado, o grupo Ellinais, do qual Peppa faz parte, obteve reconhecimento legal como uma associação cultural. Isto foi um notável acontecimento, já que na Grécia todas religiões não-cristãs, excetuando-se o Islã e o Judaísmo, são proibidas. Membros do grupo esperam obter aprovação oficial para realizar cerimônias pagãs de batismo, casamento e funerais.

Os pagãos também fazem progresso nos Estados Unidos, onde Wiccans (seguidores da Wicca, n.d.T.) recentemente ganharam uma batalha com o U.S. Departamento of Veterans Affair, como noticiou a Associated Press em 23 de Abril. O pentagrama da Wicca agora faz parte da lista de emblemas alojados em cemitérios nacionais em lápides governamentais de soldados mortos. O governo aceitou adicionar o símbolo a sua lista para acabar com um processo iniciado por um grupo de famílias.

Discriminação cristã

Outra vitória para os pagãos ocorreu na Escócia, onde a Universidade de Edimburgo deu permissão para a Sociedade Pagã ter sua conferência anual no campus, segundo o jornal Scotland de 27 de maio.

A decisão gerou protestos por parte da União Cristã da universidade, que anteriormente viu um de seus eventos banido pelas autoridades do campus porque falava sobre os perigos da homossexualidade.

«Está OK para outras religiões, como as pagãs, ter sua voz na universidade, mas há uma relutância aparente a permitir cristãos a fazerem o mesmo», comentou Matthew Tindale, da equipe da União Cristã.

O artigo também citou Simon Dames, porta-voz da Igreja Católica na Escócia, que declarou ter sentido que a permissão para o festival pagão ir adiante enquanto barram o encontro da união é um exemplo de «Cristofobia».

Os cristãos também estão alegando injusta discriminação em um caso inglês, agora no Tribunal Superior, segundo a BBC divulgou em 22 de junho. Lydia Playfoot, uma estudante de 16 anos, acusou a Millais School, em Horsham, West Sussex, de discriminação contra os cristãos por banir o uso de anéis de pureza.

Ela foi ordenada pelo funcionário da escola para retirar seu anel, que simboliza castidade, ou seria expulsa. De acordo com a BBC um grupo de garotas da escola estava usando os anéis como parte de um movimento que originou nos Estados Unidos, chamado «Silver Ring Thing».

A escola alegou que usar o anel infringia as regras em relação ao que as garotas podem usar. Playfoot protestou, apontando que alunas Sikh e Muçulmanas podem usar braceletes e véus na sala de aula. Ela também alegou que outras alunas regularmente quebram as regras com brincos no nariz, piercings na língua e cabelo tingido.

Quando Playfoot recusou em remover o anel foi retirada da classe em mandada estudar por conta própria. A única razão de proibir os anéis foi porque a escola recusa “respeitar os aspectos da fé cristã que eles não estão familiarizados”, disse à BBC.

União Européia

Num nível mais amplo, qualquer esperança de que a União Européia abrandasse sua oposição ao cristianismo apagou-se definitivamente. A Alemanha assumiu a presidência rotativa da União Européia no primeiro semestre deste ano e a Chanceler Angela Merkel declarou que deseja reabrir o debate sobre se deveria ou não o prólogo da nova constituição proposta mencionar a herança cristã do continente, de acordo com o Deutshce Welle em 24 de março.

«Eu acredito que este tratado deveria estar ligado ao cristianismo e Deus, porque o cristianismo foi decisivo na formação da Europa», ela disse após um encontro com Bento XVI ano passado.

Contudo, Merkel admitiu logo após que não havia esperança real de ter alguma menção na nova Constituição, de acordo com o mesmo Deutsche Welle em 15 de maio.

Na Alemanha, a Igreja está preocupada com o futuro do cristianismo, como evidenciou num recente comentário o cardeal Karl Lehmann, presidente da Conferência Episcopal alemã. De acordo com uma reportagem de 22 de junho do Deutsche Welle, o cardeal alertou que um zelo demasiado pela neutralidade religiosa do Estado pode levar a que todos os credos venham a ser tratados da mesma forma, independentemente do número de seus fiéis e de sua história.

«A profunda ligação cultural entre o cristianismo e nosso Estado legal, que veio da Idade Média, ou antes, não pode simplesmente ser ignorada», disse Lehmann, em um discurso dado na cidade de Karlsruhe.