Feliz Natal, Beirute, cidade sorriso!

O Líbano deveria ser visto na Europa como um país de diversidade, importante para o futuro da humanidade. Mas só os conflitos e atentados monopolizam a atenção pública.

Roma, (Zenit.org) Lorenzo Pisoni | 585 visitas

Beirute, aquela cidade tão bela e privilegiada pelo seu entorno geográfico, só volta à berlinda nos estreitos espaços da atenção europeia em casos de atentado.

O conflito perene entre muçulmanos sunitas e xiitas (Hezbollah) parece não acabar nunca. E são as notícias sobre este confronto o que monopoliza as atenções da União Europeia.

Mas o Líbano não é só isso. O Líbano é também cristianismo e tradições cristãs. E a riqueza extravasa as fronteiras da religião e descortina a opulência que também no Líbano está difundida.

O problema da insegurança não é visível em qualquer esquina. No centro e nas áreas cristãs, a situação é calma. Nas áreas habitadas por muçulmanos é um pouco mais arriscado aventurar-se, embora os policiais libaneses façam controles ferrenhos até mesmo dos carros estacionados. O risco de atentados, afinal, é sério: a situação pode explodir num milésimo de segundo e fazer com que a doce tranquilidade dê lugar às armas.

A voz do Líbano que deveria chegar até a Europa é a de um povo diversificado, berço da civilização fenícia, um povo avançado que poderia ser autossuficiente no tocante aos seus recursos econômicos. Uma nação importante para o futuro da humanidade.

No aeroporto internacional de Beirute, cujo nome homenageia Hariri, o primeiro-ministro assassinado, considerado uma personalidade importante por todas as diferentes facções religiosas do país, há uma série de fotografias tridimensionais que retratam partes da cidade antes da guerra, durante e depois. Nessas fotos, percebe-se a evolução de um país e do seu povo, que, apesar dos inúmeros problemas, tem sido capaz de caminhar para frente. No souk central, fotos ilustram a riqueza da cidade mesmo no período otomano.

O Líbano também celebra o Natal. Nos bairros cristãos, vemos árvores de Natal e presépios. Nos bairros muçulmanos, somente as árvores. No Líbano também existe humanidade. A cor que se destaca nas decorações de Natal é o branco, o mesmo branco da neve das montanhas ao redor de Beirute. E, mesmo durante as festividades, também prossegue a reconstrução dos edifícios: já restam poucos ainda semidestruídos.

A capital do País dos Cedros está se tornando cada vez mais uma cidade de aspecto moderno, que decola para um futuro ainda incerto. Esta cidade continua a ser amada, quem sabe graças àquela mistura de velho e de novo que a torna única, mas que leva, infelizmente, em alguns casos, ao conflito de todos contra todos.

Talvez, um dia, Beirute consiga se tranquilizar. Enquanto isso, desejamos a ela um feliz Natal.