Férias de verão no hemisfério norte: um apelo pela autêntica liberdade

Temos que ajudar os jovens a viver melhor o seu tempo livre, longe das drogas e de outras transgressões

Roma, (Zenit.org) Carlo Climati | 765 visitas

O verão deveria ser uma temporada de diversão e descanso. Em alguns casos, porém, ele se transforma numa estação de morte.

Durante o verão, multiplicam-se as chamadas raves. Esta palavra, que em inglês significa "delírio", se refere aos grandes encontros musicais em locais isolados, distantes dos centros habitados. Podem durar dias e noites inteiras, sem parar, com um consumo de drogas e de álcool muito elevado.

Cada participante da rave se encerra na sua própria concha, até porque a música ensurdecedora impede qualquer tipo de comunicação.

O principal instrumento de autodestruição em vários desses ambientes é o "ecstasy", pílula colorida de aparência inofensiva. É ingerida com facilidade e não levanta as preocupações que normalmente acompanham outros tipos de drogas (como, por exemplo, o risco de contrair a aids).

A armadilha do ecstasy consiste em dar aos jovens a ilusão de superpoderes, como os de certos super-heróis do mundo dos quadrinhos. O ecstasy produz uma excitação completamente artificial e a perda de consciência quanto às reações do próprio corpo.

Às vezes, nos “delírios”, o ritmo da música é tão frenético que o ecstasy se torna um combustível necessário para acompanhá-lo. Música e droga se tornam um: nutrem-se e apoiam-se mutuamente. Cada uma, para existir, precisa da outra.

O risco de morte está na possibilidade do choque térmico, devido à atividade física excessiva e ao aumento crítico da temperatura corporal. A ilusão de quem consome o ecstasy é a de se tornar invencível, mas os efeitos reais podem ser devastadores.

Outra reflexão necessária é sobre o quanto mudou a forma de se consumirem drogas entre as novas gerações. Nas décadas de 1960 e 1970, o uso de drogas se vinculava muitas vezes a correntes de pensamento ou a movimentos culturais. O LSD e outros entorpecentes escondiam a sua cara de morte por trás de uma aparência de “ideais”, em muitos casos compartilhados por jovens de boa-fé: o pacifismo, a rejeição do consumismo, o desejo de uma fraternidade universal.

Já naquela época, é claro, a droga matava os jovens, mas hoje, além de continuar matando, ela se apresenta nua à luz do dia. Não precisa mais se esconder.

O ecstasy é a mais pura expressão do nada, do vazio e do não-pensamento absoluto. Não por acaso, o seu cenário ideal é o do “delírio”, da rave, onde reinam os ritmos martelados e os sons ensurdecedores.

O paradoxo é que o verão não deveria causar certos riscos. Deveria ser um período de alegria, de relaxamento. Mas acontece às vezes o contrário. Depois de uma noite inteira de dança frenética, os jovens ficam esgotados. Literalmente acabados. Qualquer coisa, menos descansados.

A melhor resposta para certos mecanismos da degradação é convidar os jovens a redescobrir o verdadeiro significado da diversão, através da educação para uma saudável cultura do limite.

Não surpreende que, nos últimos anos, em várias partes do mundo, estejam surgindo casas noturnas mais “controladas”, em que o volume da música é mais baixo e o consumo de álcool é evitado. O sucesso dessas iniciativas testemunha que não devemos estimar negativamente os jovens nem achar que eles sempre queiram a transgressão.

Para passar uma noite relaxante com os amigos não é preciso varar a madrugada, ficar bêbado nem se drogar. Basta aprender a se controlar e gerenciar com inteligência a própria liberdade.