Festa dos Povos em Roma: um minuto de silêncio pelas vítimas do mar

Cerca de dez mil pessoas na Praça de São João de Latrão: festa multiétnica com o lema Uma riqueza que é preciso acolher

Cidade do Vaticano, (Zenit.org) Sergio Mora | 245 visitas

Uma manifestação que abre espaço e visibilidade à fé e à cultura das comunidades migrantes na diocese de Roma: este foi o evento que se realizou neste domingo, 18 de maio, na Praça de São João de Latrão, com o lema “Uma riqueza que é preciso acolher”.

A manifestação começou com a santa missa presidida pelo cardeal Peter Turkson. Na homilia, ele recordou que, “apesar das nossas diferenças, temos estado juntos como comunidade católica migrante nesta cidade”. Turkson afirmou ainda que “todos os homens são migrantes até chegarem à Casa do Pai”.

Após a missa, houve um almoço étnico preparado por associações de origens culturais diversas. À tarde, foi apresentado um espetáculo em que diversos grupos compartilharam o seu folclore e as suas danças típicas.

Antes de iniciar a parte folclórica do evento, guardou-se um minuto de silêncio diante da cruz de Lampedusa, em recordação das milhares de pessoas que morreram tentando cruzar o Mediterrâneo rumo às costas da Itália e de outros países da Europa. Foi o momento mais emocionante do encontro. A cruz de Lampedusa foi feita com restos de barcos naufragados nas costas da ilha e é a mesma que foi usada na missa que o papa Francisco celebrou durante a sua visita a Lampedusa, no ano passado.

Na praça de São João de Latrão, no centro de Roma, muitos homens e mulheres se encontraram para comemorar, sem esquecer, no entanto, a tragédia de tantos outros imigrantes que nunca chegaram às costas europeias. É nessa praça que se localiza a basílica de São João de Latrão, considerada a catedral da diocese de Roma.

A “Festa dei Popoli” nasceu com os padres escalabrinianos, alguns anos atrás, na paróquia do Redentor. A festa acontecia numa área adjacente à paróquia, em um grande terreno dotado de campo de futebol.

“Quando iniciamos, há 23 anos”, recorda o padre escalabriniano Gaetano Sarracino, “éramos 300 pessoas. Hoje, aqui, somos mais de 10.000”. Sarracino acrescenta que “é uma festa significativa para a comunidade cristã”, porque “a imigração faz parte da Itália estruturalmente. Eles vivem todos os dias com os italianos, têm as suas associações e mantêm projetos para ajudar os seus países de origem. O futuro já está aqui e esta festa nos indica como vai ser o amanhã da Igreja na cidade em que vivemos”.

Entre os diversos estandes, havia um da irmandade do Senhor dos Milagres, devoção muito popular no Peru, que é o país com a maior quantidade de imigrantes da América Latina em Roma.

Colaboraram na realização da Festa dos Povos a comunidade de Santo Egídio, os jesuítas do Centro Astalli para os Refugiados e outras várias realidades eclesiais. Trata-se de um trabalho de todos os dias, paciente, silencioso, constante, sempre próximo dos homens e das mulheres chegados à Cidade Eterna a partir de diversas partes do mundo. Nesta festa, esse trabalho convida todos a viverem uma unidade que respeita as identidades particulares.

Entre os objetivos do evento, destaca-se o da boa integração das segundas gerações e a obtenção da cidadania italiana, além de se favorecerem as reunificações familiares, considerando-se que as famílias divididas são as mais frágeis.

Na Itália, os imigrantes são cerca de 5 milhões, ou 7% da população. Os latino-americanos são cerca de 400.000. As comunidades latino-americanas mais numerosas, depois da comunidade peruana, são as do Equador e da Colômbia.