Filipinas: A luta interior para viver, não só para sobreviver, é bem forte

Superiora provincial da congregação das Filhas de Jesus na região Índico-Pacífico relata como elas viveram em primeira pessoa os dias do tufão

Roma, (Zenit.org) Rocio Lancho García | 376 visitas

Nas Filipinas, há 15 comunidades da congregação das Filhas de Jesus, cuja dedicação apostólica é voltada ao contexto e à realidade concreta de cada uma: colégios, casa de exercícios espirituais, presença nas áreas rurais e semi-urbanas, etc. Atualmente, a tarefa de todas elas está focada em uma mesma missão: dar assistência às vítimas do tufão que assolou vastas regiões do país.

Georgita Hormillosa, superiora provincial da congregação na região Índico-Pacífico, relatou a ZENIT como elas viveram em primeira pessoa os dias do tufão e como estão vivendo agora o período de recuperação e os esforços do país para voltar à normalidade.

As Filhas de Jesus na região de Panay fizeram imediatamente uma campanha para levantar os primeiros recursos: comida, roupa e água. A FASFI, fundação solidária das Filhas de Jesus, também respondeu com agilidade. "Foi uma mobilização de pessoas e de recursos em parceria com a Igreja local, com os nossos colégios e com outras comunidades religiosas do país. Até agora estamos nas operações de assistência às vítimas", conta a religiosa.

“Em todo o país, a associação de superiores e superioras religiosas das Filipinas, junto com os organismos eclesiais, principalmente a Cáritas, e vários organismos civis, está participando do programa de recuperação e de ajuda psicológica às vítimas. Milhares e milhares de famílias não têm mais casa e nós esperamos que o governo faça o possível para aliviar um pouco o sofrimento delas".

Da perspectiva da fé, a irmã Georgita afirma: "Eu posso dizer que, em geral, não falta esperança no povo filipino. A luta interior para viver, não só para sobreviver, é bem forte. A solidariedade entre as famílias vítimas do tufão é admirável. As nossas comunidades estão nessa luta. É uma grande oportunidade para pôr em prática o que a determinação da nossa última Congregação Geral nos pede: buscar mais o bem do próximo” .

Conta a irmã que "no dia 6 de novembro, eu estava na cidade de Estancia, visitando a comunidade, quando chegou o aviso pela televisão de que todas as províncias de Panay estavam em alerta 4, e o máximo é o alerta 5, por causa do supertufão Yolanda [este foi o nome dado no país; o nome dado internacionalmente ao tufão é Haiyan; ndr], com a instrução de ficar longe das praias. Como filipinos, nós estamos acostumados com os tufões [este ano houve 25 no país, ndr], mas ninguém podia pensar na ferocidade deste. O presidente do país tinha falado na televisão sobre as possíveis consequência de um supertufão, mas a reação foi de cuidado, normalidade, sem ansiedade".

Ela prossegue: "No dia 7, começou uma chuva normal, mas com algumas mudanças no ambiente. Foi até o dia seguinte: chuvas intermitentes com rajadas de vento. Estávamos todas na frente da televisão, acompanhando as notícias, e a tarde ainda passou normal, até que acabou a luz e nós percebemos que a força do vento e da chuva estava aumentando, durante toda a noite".

A religiosa conta que as irmãs ouviram pelo rádio a hora exata da passagem do tufão por Panay: às duas da tarde do dia 9, com uma trajetória que açoitaria a parte norte da região: Estancia estava diretamente na rota. "Com essa notícia, eu decidi ir para Maasin, que era a próxima comunidade que eu tinha que visitar, e partimos às 5h30 da manhã. As irmãs que me levaram até Maasin, a três horas de viagem, não podiam voltar para Estancia e dormiram em Iloilo".

O tufão passou por Maasin sem o mesmo grau de violência sentido em Estancia. Houve rajadas de até 120 km/h. "Imaginem o medo quando as estruturas começaram a cair, voar, se arrebentar... As primeiras reações depois do tufão foram de incredulidade, desespero, confusão, medo... Muita gente entrou em estado de choque, era muito difícil compreender o que estava acontecendo".

A destruição em Panay, especialmente na parte norte, é vasta. "Não se sabe quando a situação vai se normalizar, quando a vida normal das pessoas vai ser retomada. No caso do nosso colégio Santa Cândida, de Estancia, a reconstrução vai até o fim do ano, esperando que as aulas retomem o ritmo em janeiro", explica a provincial.

A congregação das Filhas de Jesus chegou às Filipinas em 1932, na primeira fundação na ilha de Panay. Panay é formada por quatro províncias: Iloilo, Capiz, Antique e Aklan.

As primeiras irmãs viveram no povoado de Pototan, província de Iloilo, e, mais tarde, fundaram o Colégio da Imaculada Conceição. Priorizando os povoados mais necessitados de escolas, a congregação fundou depois outros colégios na região de Panay: em Iloilo, Guimaras, Maasin e Estancia.