«Foi uma honra tocar piano para o Papa», diz núncio no Brasil

Dom Lorenzo Baldisseri apresentou um concerto a Bento XVI em Castel Gandolfo

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BRASÍLIA, sexta-feira, 17 de agosto de 2007 (ZENIT.org).- Enquanto aguardava o Papa na sala anexa ao seu dormitório no Mosteiro de São Bento, em maio passado, durante a visita do pontífice ao Brasil, o núncio apostólico no país, Dom Lorenzo Baldisseri, sentou-se ao piano e executou algumas peças.



Quando encerrou, ouviu palmas no fundo da sala. Foi quando se deu conta de que Bento XVI o acompanhara. «O Papa não sabia que eu era pianista», contou Dom Lorenzo a Zenit.

Após aquele momento, o núncio foi convidado mais uma vez pelo pontífice a executar obras clássicas em momentos de descanso em Aparecida, na segunda etapa da viagem de Bento XVI ao Brasil, por ocasião da abertura da Quinta Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano.

Como diplomata do Vaticano no Brasil, representante direto de Bento XVI, Dom Lorenzo acompanhou o pontífice em todos os momentos de sua viagem ao país. E na hora da despedida, o Papa lhe disse: «nos vemos em Castel Gandolfo!».

Tratava-se de um convite para um concerto na residência veraneia, no dia 7 de agosto. «Fiquei um tanto assustado, já que o Papa é um exímio pianista», confessa o núncio. «Depois o secretário do Santo Padre tratou comigo do concerto.»

Então Dom Lorenzo preparou um repertório que incluía Chopin – um de seus favoritos –, Satie, Granados, Debussy, Albeniz, entre outros. Não faltou Heitor Villa-Lobos, renomado compositor brasileiro, de cuja obra o núncio selecionou o prelúdio nº 4 das Bachianas.

«Foi um momento muito agradável, muito bonito, em que nos reunimos após o jantar para o concerto de 50 minutos», diz.

«Eu nunca pensei que isso pudesse acontecer comigo; graças a Deus foi uma bênção», destaca o núncio, cuja modéstia não deixa enfatizar sua habilidade e longa trajetória ao piano. Formado no conservatório de Luigi Boccherini (perto de Florença, Itália) quando jovem, desenvolveu posteriormente seus estudos no Pontifício Instituto de Música Sacra, em Roma.

Seu piano (meia calda Yamaha) o acompanha há 15 anos, período em que atuou nas nunciaturas do Haiti, Paraguai, Índia, Nepal e Brasil. «Esse piano já quase deu a volta ao mundo», lembra com humor o arcebispo.

Platéia especial
O núncio tinha motivos para estar preocupado com sua atuação em Castel Gandolfo. Além do Papa, um dos convidados para o jantar e concerto era o seu irmão Georg Ratzinger, renomado músico, regente por 30 anos do coro mais antigo do mundo, da Catedral de Regensburg, na Alemanha.

Entre os poucos convidados estava ainda um irmão sacerdote de Dom Lorenzo, pessoas da casa, e o secretário pessoal do Papa.

CD
Dom Lorenzo Baldisseri vai lançar no Brasil, em setembro ou outubro, um CD de música erudita ao piano. O material já está preparado e o repertório segue a linha do que foi apresentado ao Papa.

«Trata-se de composições de música clássica, mas bem familiares e agradáveis ao público», afirma. Segundo o núncio, os lucros com a venda do CD serão destinados a projetos pastorais na Amazônia.