''For Greater Glory: The True Story of Cristiada'': cinema de valores com qualidade

Entrevista com Pablo José Barroso, produtor do filme mexicano

Madri, (Zenit.org) Rosa María Ordaz | 765 visitas

O filme Cristiada, sobre a perseguição religiosa do governo mexicano contra os cristãos no início do século XX, acaba de estrear na Espanha com o título For Greater Glory: The True Story of Cristiada. Trata-se da produção cinematográfica mais cara da história do cinema mexicano. Produzido por Pablo José Barroso, dirigida por Dean Wright e escrita por Michael Love, o filme traz entre os protagonistas Andy García, Eva Longoria, Peter O'Toole e Eduardo Verástegui.

O mexicano Pablo Barroso sofreu uma transformação na vida entre 2004 e 2005 que ele define como “uma evolução interior”: “Eu mudei a minha percepção das coisas. Antes, era por medo do Ser Supremo, e agora eu descobri como ver e fazer as coisas por amor a Ele". Barroso é também o distribuidor dos filmes Karol, Cássia, Guadalupe, O Grande Milagre e A Lenda do Tesouro, além de Cristiada. Dos últimos quatro títulos ele é também o produtor.

Cristiada defende e ressalta uma das virtudes mais importantes do homem, a liberdade nas suas duas dimensões, externa e interna. Depois do sucesso nos EUA e no México, o filme está chegando à Espanha para contar uma parte pouco conhecida da história mexicana.

Como você virou produtor de cinema?

Pablo José Barroso: Eu ainda não sou produtor de cinema, sou um desenvolvedor de bens-raízes, um empresário mexicano, pai de quatro filhos, casado há catorze anos. Eu vejo a necessidade de passar para a humanidade a realidade da existência de um Deus vivo. Tento levar essa mensagem e contá-la para as pessoas. Eu não sou uma pessoa que sabe falar em público, então achei que os meios de comunicação massivos, especificamente o cinema, podiam levar essas mensagens de amor e de dignidade. Em 2005, nós começamos com o filme Karol, depois Guadalupe, que, além de produzir, nós distribuímos. A parte da distribuição é um ponto crítico, é um negócio muito frio, que de negócio, na prática, eu posso dizer que não tem nada. Como empresário, eu acho que tudo o que nós temos precisamos retribuir em bondade ao artífice do universo.

Quantos filmes você produziu?

Pablo José Barroso: Eu acho que um dos meios para levar a cultura do Amor ao mundo é o cinema. Por isso, depois de Karol, vieram Cássia, Guadalupe, O Grande Milagre, A Lenda do Tesouro, que era na linha hollywoodiana, e terminamos com a Cristiada.

Qual é o objetivo principal? Ou, em outras palavras, de onde vem essa paixão por realizar filmes dessa índole?

Pablo José Barroso: Desde a origem da arte, a arte sempre foi usada para enaltecer o espírito, para entreter através da poesia, da música, do teatro... Infelizmente, faz menos de oitenta anos que começou a televisão e nós saímos dessa linha de transmitir valores universais nos meios de comunicação. Essa mídia nem sempre transmite mensagens construtivas. A influência mundial dos contravalores se estende através dela, que pensa que é só outro tipo de produto que dá audiência. Da nossa parte, nós procuramos voltar para o fator humano e espiritual, para mostrar que também existe mercado, importante e vasto, para isso.

Como nasceu em você o projeto Cristiada?

Pablo José Barroso: Quando o destino prevê a realização de alguma coisa, a vida e a providência se encarregam de confirmar que você é o escolhido. Eu não queria mais realizar esse novo projeto, estava desanimado, porque, em todos os filmes anteriores, eu estive sozinho e me senti sozinho na área do financiamento. É uma indústria bem complicada. Você roda a fita e o público nem sempre responde como você gostaria. Mas hoje eu estou muito contente! O Grande Milagre teve uma resposta muito boa; a direção ficou a cargo do Bruce Morris (Procurando Nemo e Pocahontas). A música era do Mark Mackenzi (Sr. e Sra. Smith, Homem Aranha, O Patriota). Ele se mostrou orgulhosamente à altura de países do primeiro mundo na arte da animação tridimensional. Cristiada me deu muitíssimas satisfações, mas continua sendo um desafio. O público começou a entender e gostar desse gênero de cinema de valores.

Quais eram as suas expectativas antes de realizar Cristiada?

Pablo José Barroso: Tudo começou com a finalidade de mudar vidas, transformar pensamentos e formar as pessoas nas virtudes. No lado material, os resultados não são os que qualquer empresário procuraria. Mas no espiritual, que é a parte mais importante do homem e pela qual eu trabalho, estou muito contente e realizado.

Como você consegue os recursos para um projeto destas proporções?

Pablo José Barroso: Trabalhando e confiando na Divina Providência! Praticamente tudo foi conseguido com um pequeno grupo de pessoas que acreditaram em mim.

Qual é o seu projeto atual?

Pablo José Barroso: A distribuição de Cristiada. Eu me esforço para estar em paz comigo mesmo, com os outros, e levar a maior quantidade possível de pessoas a ver os filmes que nós fizemos.

Quando o filme vai sair em DVD?

Pablo José Barroso: No México e nos Estados Unidos, no fim de setembro, começo de outubro.

Dizem que, para um compositor ou para um escritor, cada obra que ele realiza é como um filho que ele dá à luz e que vai contribuir com algo para a humanidade. Como produtor de filmes, de qual das suas obras você gosta mais e por quê?

Pablo José Barroso: Eu acho que você vai aprendendo com cada obra. Obviamente, o filme com mais dedicação, conhecimento, trabalho e mais no estilo de Hollywood é Cristiada. Mas O Grande Milagre também foi espetacular. Eu gosto muito de todos, mas me senti mais gratificado com O Grande Milagre.

O que a opinião pública achou de Cristiada?

Pablo José Barroso: Eu ouvi falar de mudanças para melhor, de várias crianças e adultos. Sei de gente que inclusive ama mais o México depois de ver o filme. Eu estou muito contente e grato por essa confiança das pessoas em me contar isso.

Mais informações: www.grandezaydignidad.com,

Site oficial do filme Cristiada: www.cristiadapelicula.com; www.forgreaterglory.es.

*Rosa María Julia Ordaz é jornalista mexicana. Estudou Comunicação Institucional na Universidade da Santa Cruz em Roma. Colabora e escreve para revistas e meios de comunicação da Espanha, Itália, Costa Rica, México, Irlanda, Inglaterra e Estados Unidos.