Forma como os indivíduos gerem a sua pertença hoje é muito complexa

Antropólogo afirma que é imperativo pensar o lugar da religião nas sociedades

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LISBOA, terça-feira, 15 de junho de 2010 (ZENIT.org) - O antropólogo Alfredo Teixeira, do Centro de Estudos de Religiões e Culturas da Universidade Católica Portuguesa (UCP), considera que a Igreja Católica pensa a sua pastoral na ótica de “uma certa homogeneidade da pertença”, mas nas sociedades atuais “a forma como os indivíduos gerem a sua pertença é muito complexa”.

O especialista foi ouvido por Agência Ecclesia, no contexto das Jornadas Pastorais anuais da Conferência Episcopal Portuguesa, evento que reúne os bispos esta semana em Fátima, com o tema “Repensar juntos a pastoral da Igreja em Portugal – Interpelações socioculturais”.

Segundo Alfredo Teixeira, a percentagem de quase 90% de católicos em Portugal esconde “uma realidade muito diversificada”. “Quando um português diz que é católico, isso pode significar muitas coisas”, alerta.

Para o especialista, há uma “persistência dessa identidade” que é interessante analisar, porque “a construção da identidade religiosa, hoje, já não sofre os constrangimentos e as pressões sociais e culturais que, porventura, existiam em décadas anteriores”.

Para o antropólogo, em questão está a concepção do “lugar da religião nas sociedades”, que em muitos casos desenvolveram a ideia de que “o espaço público deve ser neutro, em termos religiosos”, e não apenas o Estado.

“Não vejo como escapar a essa realidade quando se pensa a organização do espaço público”, afirma.

Em relação à Igreja Católica, Alfredo Teixeira fala em “alguma indecisão” quanto à definição do papel dos leigos, sobretudo face à diminuição do número de presbíteros para presidir às comunidades e organizar a vida pastoral.

“A importância do presbítero na identidade católica nas comunidades não diminuiu e, ao tornar-se mais rara, isso trouxe um problema”, ilustra.

Teixeira lembra as experiências de “reorganização” do território de pertença, com a introdução de unidades mais amplas do que a “tradicional paróquia”, mas “não tem sido fácil encontrar um modelo organizativo adequado”, reconhece.