Francisco e Jacinta enfocados na Peregrinação do Migrante e do Refugiado

“Que nunca falte às nossas crianças a comunhão da família”, diz bispo

| 1149 visitas

FÁTIMA, segunda-feira, 9 de agosto de 2010 (ZENIT.org) – Até ao momento, trinta grupos de peregrinos procederam, junto do Serviço de Peregrinos do Santuário de Fátima, à sua inscrição para participação na peregrinação internacional dos dias 12 e 13 de agosto, que será presidida por D. Claude Schocker, Bispo de Belfort-Montbéliard (França) e presidente do Serviço Nacional da Pastoral dos Migrantes de França; informa a Sala de Imprensa do Santuário.

Como há vários anos, o maior grupo em peregrinação a Fátima será o da Peregrinação do Migrante e do Refugiado, uma organização da Comissão Episcopal da Mobilidade Humana (CEMH), que neste ano de 2010 pretende realçar a comunidade portuguesa residente em França e a Igreja Francesa que a acolhe.

Em mensagem disponibilizada na internet, D. António Vitalino, Bispo de Beja e Presidente da CEMH, explica o tema da peregrinação e os motivos pelos quais este ano as vidas de Jacinta e Francisco Marto serão recordadas de maneira especial aos peregrinos.

“A Igreja Portuguesa, por sua vez, dado que desde há muitos anos celebra este Dia Mundial (do Migrante e do Refugiado) no mês de agosto, durante uma semana e com uma peregrinação internacional a Fátima, assumiu o tema pontifício, mas com uma característica muito própria: ‘Com Francisco e Jacinta acolher Cristo nos Migrantes e Refugiados Menores’.”

“Todos conhecemos as figuras dos bem-aventurados Francisco e Jacinta Marto, o seu amor a Jesus, à família, a Nossa Senhora, ao Santo Padre, aos soldados em guerra, aos pecadores por cuja conversão rezavam e se sacrificavam, aos pobres e até aos próprios animais, com quem repartiam a sua escassa merenda. Este amor e compromisso coerente foi-lhes transmitido pela família, pela Igreja e pelas aparições de Nossa Senhora”, afirma o bispo.

D. António Vitalino considera que “não é o dinheiro, a riqueza material, as estruturas econômicas e políticas, que dão testemunho dos valores essenciais para o reconhecimento da dignidade da pessoa humana, sobretudo da criança. Sendo pobres em relação aos meios de que hoje muitas dispõem, os pastorinhos de Fátima dão-nos o exemplo de crianças realizadas e felizes”.

O prelado anuncia ainda o propósito principal desta peregrinação anual a Fátima: “Sem poder reproduzir o passado, queremos, nesta peregrinação internacional de 2010, apresentar aos portugueses e ao mundo estas interpelações veementes do Evangelho, da Mensagem do Santo Padre e da situação em Portugal no que se refere aos migrantes e refugiados menores, com o amor, a oração e o testemunho dos bem-aventurados Francisco e Jacinta”.

“Se a presente crise exigir mais moderação nos nossos consumos e estilo de vida, que nunca falte às nossas crianças a comunhão da família, o amor e dedicação dos adultos e da sociedade, para que o futuro deste mundo global seja mais pacífico e coeso”, escreve o bispo.

Comunidades africanas

Nesse sábado, dia 7, sob a organização da Capelania dos Africanos do Patriarcado de Lisboa, a comunidade africana em Portugal peregrinou ao Santuário de Fátima.

Sob o lema «Santa Maria Mãe de Deus, rogai pelo continente Africano!», centenas de pessoas trouxeram os sons, as cores e as tradições dos povos africanos ao Santuário, num saudável convívio entre cultura e fé católica. Presidiu à peregrinação o bispo guineense de Bissau, D. José Camnate.

“É bonito estarmos aqui no Santuário de Fátima, fiéis africanos e não africanos, vindos de vários países, unidos pela mesma fé e pelo mesmo desejo de dar graças ao Senhor por tudo o que Ele fez pelo nosso continente”, disse o bispo.

Às 13h, a Eucaristia foi celebrada na Igreja da Santíssima Trindade, ocasião em foi transmitida uma nota de esperança, mas em que também foram lembrados os verdadeiros anseios dos povos africanos.

“Temos muitas razões para rezarmos a Deus por intercessão da Virgem Maria que deste lugar sagrado, há quase um século, pediu conversão e penitência”, afirmou D. Camnate na homilia.

Ele destacou em seguida quais são os principais desafios por que África ainda tem de passar: “eliminar a guerra”, “eliminar a doença, a sida [Aids]”, “eliminar a fome e a pobreza”, o tráfico de droga e a exploração.

O principal pedido apresentado a Nossa Senhora foi “a paz para as nossas famílias, a paz para os nossos países”.

Nascido na Guiné e atualmente bispo de Bissau, D. José Camnate falou em particular do seu país e apelou todos os guineenses que se esforcem para evitar uma guerra civil como a de 1998-1999.

Na internet: www.fatima.pt