Francisco em Molise, uma esperança para o mundo do trabalho e da educação

Entrevista com Gianmaria Palmieri, Reitor da Universidade de Campobasso, a primeira etapa da visita do Papa, no sábado

Roma, (Zenit.org) Salvatore Cernuzio | 462 visitas

Assim que chegar em Molise, o primeiro compromisso que aguarda o Papa Francisco é uma visita à Universidade de Campobasso, onde será realizado um importante encontro do mundo dos negócios e da indústria, em que o Papa dará uma palavra de incentivo, levando em consideração o problema do trabalho que assola a região. Por sua vez, a universidade tem trabalhado com empenho e paixão para dar boas-vindas ao Papa, realizando várias iniciativas e preparando algumas surpresas como transformar o campo onde o helicóptero vai pousar em um grande espaço verde chamado "Papa Francesco Piazza". O Reitor da Universidade, prof. Gianmaria Palmieri, falou à Zenit:

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Zenit: A primeira etapa da visita pastoral de Francisco em Molise será a Universidade. É a primeira vez que um Papa argentino entra em uma universidade italiana. Uma grande responsabilidade. Como o senhor está se sentindo?

Palmieri: É notável que a visita do Papa Francisco comece na universidade. Esta primeira etapa será muito importante porque encontrará a comunidade universitária e o mundo do trabalho, com a presença de empreendedores, trabalhadores da indústria, bem como alunos, professores e assim por diante. Será uma perfeita harmonia entre esses dois mundos, o que dará uma perspectiva positiva para o futuro. O que não significa ‘qualquer coisa’ para a nossa região, considerando-se algumas questões que vivemos.

Zenit: Principalmente a questão do trabalho, denunciado por todos como o verdadeiro flagelo da região ...

Palmieri: Absolutamente. Aqui nós sofremos um drama real. Apesar de geograficamente central, Molise continua a ser uma grande periferia a partir deste ponto de vista. Não tem a infra-estrutura adequada para garantir às empresas uma vida fácil. Muitas empresas privadas estão em crise, grandes indústrias fecharam, em geral, vivemos o princípio da spending review. Devemos unir forças, e tenho certeza que a visita do Papa será um sinal de esperança e otimismo.

Zenit: Como a Universidade está se preparando para receber o Papa?

Palmieri: Podemos dizer que agora tudo está pronto, estamos nos últimos retoques para melhor acomodar o Pontífice. Sem dúvida é uma grande honra recebê-lo aqui; somos uma Universidade pública, mas por dentro há muitos que rezam pelo Papa, desde a sua primeira aparição no balcão da Praça de São Pedro, quando pediu ao povo para rezar pelo seu pontificado e sua importante missão. Há muitos não-crentes, mas eles também se afeiçoaram ao Santo Padre. Todos trabalharam com grande paixão e compromisso na preparação desta visita. Eu vi realmente um esforço coletivo, que demonstra a qualidade que distingue a Universidade de Molise, uma realidade fundamental - também pelos seus números – para a região. E os resultados até agora são excelentes.

Zenit: O Papa falou muitas vezes de uma emergência educacional. Como a Universidade de Campobasso enfrenta esse desafio?

Palmieri: Já ha algum tempo, a Universidade esta empenhada em responder a este desafio da modernidade. Em primeiro lugar, contamos com um corpo docente muito jovem e, portanto, não tem inerente em si certos "preconceitos culturais". A Universidade de Campobasso possui elevados níveis de excelência em algumas áreas, graças a um trabalho profissional diário e silencioso. Na verdade, eu espero que a visita do Papa seja uma oportunidade para sublinhar que na Itália existem universidades regionais, trabalhando sem os holofotes, que levam adiante um compromisso fecundo. Como muitas outras universidades, nós também vivemos hoje tempos difíceis. Espero que a visita do Papa seja um incentivo para ir mais adiante.

Zenit: Haverá atividades especiais na Universidade para a chegada do Papa? Vocês  prepararam alguma "surpresa"?

Palmieri: Sim, teremos algumas surpresas relacionadas principalmente à forte ligação entre a Região e a Universidade que, em Molise, assume questões no âmbito cultural, ambiental, da natureza e da fertilidade, da humanidade entendida como pessoas que se relacionam. Molise é uma das poucas regiões da Itália que não registram índice de criminalidade. Através da presença do Papa, teremos a oportunidade de dar a conhecer a realidade de uma região, de periferia, mas uma terra saudável, com muitos recursos. Não digo mais para não estragar a surpresa. Antecipo, no entanto, que o heliporto onde o Papa vai pousar, montado em frente a Universidade, através de um esforço conjunto, vai se tornar um grande parque, um espaço verde chamado Papa Francisco.

Zenit: O que você espera após a visita do Papa?

Palmieri: Já teve um efeito milagroso no sentido de que, nos últimos 20 dias, a cidade se transformou positivamente. Algumas divisões internas foram superadas, especialmente de natureza política. Eu vi acontecer, por todos os lados, um esforço sinérgico que tem trazido excelentes resultados. Esperemos que, a partir de domingo (6), comece um novo tempo de unidade. Papa Francisco na Evangelii Gaudium sublinhou a necessidade de que a unidade prevaleça sobre a divisão. O fato de que o simples anúncio de sua visita já trouxe esses frutos parece-me um ponto de partida muito positivo.

(Trad.:MEM)