Francisco escreveu à Comunidade Judaica de Roma por ocasião do Pessach

O Santo Padre mostra mais uma vez a sua proximidade e pede que o acompanhem com a oração na sua próxima visita a Jerusalém

Roma, (Zenit.org) Redacao | 437 visitas

O rabino-chefe da Comunidade Judaica de Roma, Riccardo Di Segni, recebeu um telegrama do Papa Francisco por ocasião do Pessach, a Páscoa judaica, que começa no entardecer do 14 de abril e terá uma duração de oito dias. Nos próximos dias, o rabino-chefe corresponderá ao gesto do Santo Padre ao enviar-lhe os seus melhores desejos em uma mensagem por ocasião da Páscoa cristã.

Em sua comunicação a Di Segni, divulgada hoje, o Pontífice argentino dirige “o mais cordial desejo de paz” ao rabino e a toda a comunidade judaica de Roma ao aproximar-se esta importante festividade.

Que "a memória da libertação da opressão através do braço forte do Senhor inspire pensamentos de misericórdia, de reconciliação e de proximidade fraterna com todos os que sofrem sob o peso das novas escravidões", acrescenta.

"Dirigindo o pensamento a Jerusalém, que terei a alegria de visitar proximamente, peço-lhes que me acompanhem com a oração, enquanto vos asseguro a minha lembrança, invocando abundantes bênçãos do Todo-Poderoso", conclui o Papa.

Desde a sua eleição, Francisco realizou vários gestos de carinho e amizade com os judeus, considerado já por João Paulo II e Bento XVI como "irmãos mais velhos na fé". E é que nas últimas décadas as relações da Igreja com a Comunidade Judaica de Roma e o diálogo inter-religioso, deram passos importantes e foram se fortalecendo.

No dia 13 de abril de 1986 João Paulo II tornou-se o primeiro Papa a visitar uma sinagoga. Elio Toaff, o Rabino-Chefe, recebeu o Santo Padre nos portões do templo judeu em Roma e, deixando de lado o protocolo, deram-se um emocionante abraço.

João Paulo II, que, por vezes, se dirigiu aos presentes em língua hebraica, aproveitou a oportunidade para condenar o anti-semitismo e se referiu aos judeus como "irmãos mais velhos".

Além disso, a comunidade judaica italiana acolheu no dia 17 de janeiro de 2010 Bento XVI com aplausos calorosos em sua primeira e histórica visita à Sinagoga de Roma, quase 24 anos depois daquela que fez João Paulo II em 1986.

Antes de entrar na sinagoga, o Pontífice alemão deixou uma coroa de flores nos túmulos que lembram dois dos momentos mais sombrios da Comunidade Judaica romana: o que comemora a deportação de 1.022 judeus, realizada no dia 16 de outubro de 1943, e a que recorda o atentado terrorista do 9 de outubro de 1982 no Templo, durante o qual morreu uma criança de dois anos, Stefano Taché, e outras 37 pessoas ficaram feridas.

A Pessach é a primeira e mais importante festa do calendário judeu; começa no dia de Nisan, e é comemorada durante sete dias (oito na diáspora), dos quais o primeiro e o último são dias de descanso, e nos quais está proibido o trabalho diário. Nela se festeja a libertação do povo judeu da escravidão do Egito realizada por Deus através de Moisés.

[Trad.TS]