Francisco: o lavatório dos pés é uma herança que Jesus nos deixa

O Santo Padre lavou e beijou os pés de doze pacientes de um centro romano para portadores de deficiências

Roma, (Zenit.org) Rocio Lancho García | 603 visitas

Nesta Quinta-Feira Santa, o Santo Padre lavou os pés de doze pessoas que sofrem de diversos tipos de deficiências e necessidades especiais. O lugar escolhido pelo papa foi o Centro Santa Maria da Providência, da Fundação Dom Carlo Gnocchi, onde ele celebrou, às 17h30 de Roma, a missa “in Coena Domini”, que rememora a Última Ceia e o gesto de Jesus de lavar os pés dos doze apóstolos. Ainda como cardeal, Bergoglio já tinha o costume de celebrar a missa da Quinta-Feira Santa em algum presídio, hospital ou residência para pobres e marginalizados.

Uma multidão de fiéis recebeu Francisco com entusiasmo na entrada da igreja. Ele parou para conversar um pouco e abençoá-los. Dentro da igreja, o papa saudou as pessoas que estavam de ambos os lados do corredor central. Na celebração, participaram os pacientes acompanhados pelos familiares, trabalhadores, voluntários e os profissionais responsáveis pelo centro. A celebração foi animada por violões e instrumentos de percussão, além do coro, do qual fazem parte alguns dos pacientes.

Numa breve e improvisada homilia, o Santo Padre falou do gesto de Jesus de lavar os pés como uma herança que Ele nos deixou. Francisco recordou que Jesus "é Deus e se fez servo, servidor nosso, e esta é a herança". "Vocês também devem ser servidores uns dos outros".

Jesus, disse o papa, "trilhou este caminho por amor. Vocês também devem se amar e ser servidores no amor". O gesto de lavar os pés "é simbólico: era feito pelos escravos". Jesus "faz um trabalho de servo e deixa isso como herança para nós". Por isso, "temos que ser servidores uns dos outros" e pensar "no amor que Jesus nos pede para ter pelos outros, no quanto podemos servir melhor às outras pessoas".

O Santo Padre se aproximou então dos doze pacientes deficientes, ajoelhou-se e, com ternura, verteu água em um pé de cada um deles e os lavou, secou e beijou.

Os doze pacientes do Centro da Fundação Dom Gnocchi que participaram do lava-pés têm de 16 a 86 anos. Alguns apresentam deficiências temporárias e outros crônicas. Entre eles, 9 são de nacionalidade italiana e 3 estrangeiros, um deles de religião muçulmana.

Ao terminar a eucaristia, o Santo Padre levou as formas consagradas até o sacrário e rezou durante alguns instantes.

O primeiro papa que visitou a Fundação Dom Gnochhi foi Paulo VI, em 1963. Também esteve ali João Paulo II, em 1990. No Vaticano e em Castel Gandolfo, Pio XII, João XXIII e Bento XVI receberam delegações e grupos da fundação em diversas ocasiões.