Francisco: seis meses depois. Comentários do porta-voz do Vaticano

Seu nome, o fim do eurocentrismo, o entusiasmo e a proximidade que inspira, a reforma da Igreja e a convivência com Bento XVI

Roma, (Zenit.org) Redacao | 587 visitas

Já faz seis meses que o Papa Francisco saiu pelo Balcão da Fachada da Basílica de São Pedro e cumprimentou pela primeira vez os presentes na praça de São Pedro, já não como cardeal Bergoglio mas como o primeiro pontífice latino-americano da história. O padre Federico Lombardi, porta-voz do Vaticano, comentou alguns aspectos mais significativos deste pontificado, em entrevista à Rádio Vaticano .

O nome Francisco

Como duas grandes novidades destacou: o nome escolhido “Francisco” e o final do eurocentrismo da Igreja. Sobre “Francisco, está a explicação dada pelo próprio Papa: ‘ pobres, paz, cuidado com a criação’. E já vimos – ao menos sobre os pobres e a paz – que realmente são características básicas deste pontificado”.

Fim do eurocentrismo

E a propósito de que seja um papa não europeu, “isto se vê em um sentido bem positivo de ampliação dos horizontes: vimos especialmente durante a Jornada Mundial da Juventude” com o papa no seu continente de origem e aprendemos que também o seu estilo é pastoral, o seu modo de relacionar-se direto com as pessoas, a sua linguagem simples...”, comenta o padre Lombardi.

Todos os papas têm sido ‘universais’ explica o porta-voz do vaticano, embora “a eleição de um papa que vem de outro continente efetivamente traz algo específico no estilo, na perspectiva, e é algo desejado pela Igreja universal, querido pelos cardeais e nós o apreciamos, como um maior enriquecimento do caminho da Igreja universal". Uma terceira característica é a missão: o papa Francisco fala muito de uma Igreja não auto-referencial, uma Igreja em Missão, de uma igreja que olha para além de si mesma e para todo o mundo .

A aproximação que desperta

Em outra das respostas fala sobre a aproximação que Francisco está despertando até mesmo entre os mais "distantes” da Igreja. "O estilo, a linguagem direta do papa, as suas atitudes, também a novidade do seu estilo de vida tocam em profundidade e levantam grande interesse, um grande entusiasmo”. E considera que o motivo deste interesse seja profundo, “o fato de que o papa insiste muito mesmo em um Deus que ama, um Deus de misericórdia, um Deus sempre preparado a perdoar, que se dirige a ele com humildade”, disse Lombardi .

As reformas na estrutura da Igreja

Sobre o que esperar deste pontificado nos próximos meses, o diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, recorda que o papa vai enfrentar também os temas relacionados com o governo da Igreja, consultando os seus colaboradores, tanto os da Cúria Romana quanto os cardeais que ele elegeu e que se reunirão em outubro.

Mas, a este respeito, esclarece que “não gostaria de que se desse muita ênfase no aspecto das chamadas reformas de estrutura, relativas às instituições. O que conta é o coração da reforma perene da vida da Igreja, e neste sentido o papa Francisco, certamente, com o exemplo, com a sua espiritualidade, com a sua atitude de humildade e de proximidade, quer aproximar-nos de Jesus, quer fazer-nos uma Igreja a caminho, próxima à humanidade de hoje, especialmente à humanidade que sofre e que mais precisa da manifestação do amor de Deus”. E mais adiante esclarece “deixemos que o Senhor nos conduza. O papa não é uma pessoa que pensa que tem nas suas mãos o projeto organizacional da história. O papa é uma pessoa que ouve o Espírito do Senhor...".

Convivência com Bento XVI

Outro aspecto discutido na entrevista é a convivência no Vaticano do Papa Francisco com o Papa emérito Bento XVI. E Lombardi respondeu que "está muito bem, procede perfeitamente!" E é que essa convivência está sendo exatamente como ele tinha falado, nos tinha anunciado na ocasião da sua demissão: continuaria estando a caminho com a Igreja, porém, mais na forma de oração, de oferta da própria vida, da proximidade espiritual ao invés da presença, digamos assim - operacional", disse o porta-voz do Vaticano. Embora reconhece que “também teve uma vez a alegria de estar perto do Papa Bento e ver a sua serenidade, sua fé, sua espiritualidade, sua bondade extraordinária que testemunha tanto durante este tempo do seu pontificado e que continua, embora agora nesta forma nova e mais discreta, a caracterizá-lo. Eu acho que nós sentimos, embora não o vejamos com frequência, sentimos sempre a presença do seu afeto, da sua oração, da sua sabedoria e do seu conselho, que, certamente, está sempre à disposição também do seu sucessor, sempre que o peça".

O papel do porta-voz do Vaticano

Sobre seu trabalho como porta-voz, Lombardi diz que consiste em "um humilde serviço de colocar à disposição as informações, os textos e as respostas para compreender bem o que o papa fala e faz”. E acrescenta que “honestamente, parece-me que nestes seis meses de pontificado do papa Francisco atuou e falou em um modo tão intenso, que eu efetivamente – por sorte – pude estar na sombra, com relação a quem é o protagonista, a voz principal que os fiéis querem ouvir, que é precisamente o papa" .

Tradução Thácio Siqueira