Freiras americanas contrárias ao magistério da Igreja sofrem intervenção vaticana

Cardeal Levada: "Situação doutrinal e pastoral muito grave"

| 2195 visitas

Salvatore Cernuzio

ROMA, sexta-feira, 20 de abril de 2012 (ZENIT.org) – A Leadership Conference of Women Religious (LCWR), ou Conferência das Liderenças Religiosas Femininas, grupo que reúne 80% das religiosas nos Estados Unidos, precisa de uma profunda reforma. É o parecer da Congregação para a Doutrina da Fé, chefiada pelo cardeal William Levada, ex-arcebispo de San Francisco, que nomeou o arcebispo de Seattle, Peter Sartain, para supervisionar o trabalho de reorganização do grupo.

A iniciativa é fruto de uma investigação secreta feita pelo Vaticano desde 2008, encerrada nesta quarta-feira com a declaração do cardeal: "A situação doutrinal e pastoral é grave e nos causa séria preocupação".

De acordo com o Washington Post, o grupo que agora sofre a intervenção vaticana "já se declarou a favor do casamento gay, do aborto e de temáticas feministas". O problema fundamental, segundo Levada, é que a LCWR "se afastou do centro cristológico fundamental e do foco da consagração religiosa", tornando-se promotora de ensinamentos sobre a sexualidade que discordam da Igreja e se fundamentam em ideias "radicalmente feministas, incompatíveis com a fé católica".

As declarações são resultado da visita apostólica feita pelo bispo Leonardo Blaire, de Toledo, Ohio, que identificou sérios problemas doutrinais em muitas pessoas do grupo de consagradas. A investigação revelou reuniões regulares da LCWR que “ignoravam o ensinamento magisterial” em temas como o sacerdócio feminino e a homossexualidade. Alguns programas promovidos pela LCWR promovem ainda um feminismo radical.

O grupo já tinha deixado a situação muito delicada ao declarar: “Não promovam o ensinamento da Igreja sobre os problemas da sexualidade humana”. Além disso, é acusado de “silêncio sobre o direito à vida desde a concepção até o fim natural”, no acalorado debate público sobre aborto e eutanásia. A LCWR apoiou com firmeza a reforma de Obama na saúde pública, inclusive quanto às controversas normas sobre aborto e contracepção.

O arcebispo Sartain, delegado vaticano, deverá “revisar, orientar e aprovar o trabalho da LCWR onde for necessário”. Entre suas tarefas, ele ajudará as líderes da LCWR a revisar os estatutos do grupo, planejar os programas, rever os textos litúrgicos e reconsiderar as afiliações a outras organizações.

O mandato do delegado “durará o período máximo de cinco anos, se necessários”. Como auxiliares, ele contará com os bispos Leonard Blair e John Thomas Paprocki, além de consultores adjuntos e especialistas religiosos, “para trabalhar com a LCWR e enfrentar os problemas que foram delineados nos informes”.

O documento sobre o trabalho do delegado vaticano estabelece um vínculo formal entre ele e a Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos.

“Os resultados da avaliação doutrinal da LCWR, publicada pela Congregação para a Doutrina da Fé, pretendem renovar esta conferência para dar uma base doutrinal mais forte às suas muito louváveis iniciativas e atividades”, declarou o cardeal Levada.