Fritz e Anneli Peier, construtores de unidade

Dois pioneiros do ecumenismo dos Focolares na Suíça

Roma, (Zenit.org) | 996 visitas

A aventura da família Peier começa na noite de Natal de 1947. "Eu conheci Anneli”, lembra-se Fritz, pastor reformado, “e fiquei impactado. Esta é a minha futura esposa, pensei. Era com ela que eu queria construir uma família com base no 'Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, ali estou eu no meio deles’(Mt 18,20)”. E foi o que aconteceu. Do casamento, celebrado no dia da Assunção em 1949, nasceram seis filhos. Mas outra aventura ainda os esperava.

Em 1968, num encontro ecumênico entre cristãos luteranos e católicos da Alemanha, organizado pelo movimento dos Focolares na Itália, eles foram tocados pela palavra de Deus transformada em vida. "Ouvimos diretamente de Chiara Lubich a extraordinária aventura do início do movimento. Não conseguimos dormir. Relemos no evangelho todas as frases de Jesus que ela tinha citado. Era como se uma nova luz iluminasse a nossa vida e sentimos que as nossas almas tinham esperado aquele momento desde sempre".

Os ancestrais de Anneli tinham tradição menonita; os de Fritz, católicos e vetero-católicos; eles eram seguidores da Igreja reformada. O problema religioso era muito vivo na família. E o encontro com os Focolares foi a resposta.

Os Peier pediram a Chiara um encontro ecumênico entre reformados e católicos da Suíça, e, graças à profunda relação que estabeleceram com ela, começaram em 1969 uma série de reuniões que, em anos alternados, prosseguem na Itália e na Suíça. Com fidelidade contagiosa, Fritz e Anneli testemunham o ideal de unidade e são considerados os pioneiros do ecumenismo dos Focolares na Suíça. Eles mesmos confirmam: "Chiara nos inspirou na vida familiar e no trabalho da paróquia. Com ela, começou um intercâmbio epistolar denso, um colóquio intenso, uma profunda amizade".

Foi graças a eles que se realizaram etapas fundamentais, como a de 2001, quando Chiara foi convidada pela Igreja Reformada de Zurique para falar na catedral em que Ulrich Zwingli tinha começado a sua pregação. "Deus realizou o milagre da sua presença no Grossmünster, fazendo com que nos sentíssemos seu povo unificado no amor. Agradeço especialmente a vocês, que prepararam o terreno para as graças destes dias", escreveu Chiara aos Peier.

É admirável a sinceridade com que eles faziam cada relatório diário. Anneli: "Eu entendi que não importa quem é o meu próximo... Deixei de lado todas as receitas da psicologia, com as quais eu costumava avaliar as pessoas, para tentar simplesmente ver Jesus nelas. Os frutos dessa atitude foram extraordinários". E Fritz: "O meu trabalho nesta paróquia era lutar ainda mais pelo ecumenismo. Eu desejava saber o que as nossas igrejas têm em comum". Fritz vivia tentando implementar a sentença da Escritura: "Não abolir, mas cumprir" (Mt 5,17), que Chiara lhe havia sugerido como programa de vida.

Gravemente doente em fevereiro de 2009, pouco antes de morrer, Fritz expressou o seu desejo mais profundo: "Não deixem de ser uma família! O encontro com o Amigo deve ser comunitário". Ao vigário e íntimo amigo, Peter Dettwiler, ele havia dito poucos meses antes: "No meu funeral, diga apenas que o que Fritz foi é devido a Deus e à sua amada esposa". Quando contou isso a Anneli, Dettwiler lembra que ela, sorrindo, respondeu: "A parte da esposa pode deixar para lá".

Exatamente um ano depois do marido, Anneli também alcançou o céu, aos 84 anos. "Amai-vos profundamente, de coração sincero, uns aos outros" (1 Pedro 1,22): esta era a frase que Chiara Lubich tinha escolhido para ela. É a frase que resume a sua vida.