Fundamento da paz: relacionamento com Deus, diz arcebispo

Segundo Dom Walmor Oliveira de Azevedo, paz é valor e dever universal

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BELO HORIZONTE, quinta-feira, 22 de janeiro de 2009 (ZENIT.org).- O arcebispo de Belo Horizonte (Brasil) considera que «o relacionamento de cada ser humano com Deus é o fundamento verdadeiro da paz».

«Na compreensão de si mesmo como instrumento na construção da paz, cada pessoa tem que ter presente que a paz é um dom e mais do que um projeto humano.»

«A paz é primeiramente um atributo essencial de Deus», destaca Dom Walmor Oliveira de Azevedo, em artigo semanal aos fiéis. 

Como valor e dever universal e fruto da justiça –explica o arcebispo–, a paz corre perigo «quando ao homem não lhe é reconhecido o que lhe é devido enquanto homem, quando não é respeitada a sua dignidade e quando a convivência não é orientada ao bem comum».

«Assim como é fruto da justiça, a paz é fruto também do amor» –assinala. «Justiça e amor, transformado em compromisso caritativo, são pilares insubstituíveis na construção da paz. A justiça e o amor iluminam a realidade contemporânea exigindo compromissos nesta construção da paz».

Dom Walmor recorda a mensagem de Bento XVI para o Dia Mundial da Paz 2009, em que o Papa destaca alguns compromissos particulares, diante da chaga da pobreza, na consecução da paz.

Segundo o arcebispo, a situação das crianças é um «compromisso moral». «Quando a pobreza atinge uma família, as crianças são as vítimas mais vulneráveis. Atualmente, metade dos que vivem em pobreza absoluta é de crianças».

Outro compromisso na construção da paz «é apontado na consideração da relação existente entre o desarmamento e o progresso».

«A corrida armamentista tem sido um problema sério trazendo comprometimentos como instabilidade, tensão, conflito, além da perpetuação de subdesenvolvimento e desesperos. É urgente o compromisso de tomar providências para que se reduzam as despesas com armamentos.»

Não menos importante –destaca Dom Walmor baseando-se na mensagem do Papa– «é o enfrentamento e solução para a atual crise alimentar».

«Nesta crise o problema não é só a falta de alimento, mas também a dificuldade de acesso a ele», afirma. 

«A construção da paz tem como tarefa diminuir o vergonhoso fosso entre ricos e pobres que cresceu assustadoramente nos últimos decênios, em detrimento do crescimento econômico e dos avanços tecnológicos.»

Segundo o arcebispo, esta crise econômica atual «precisa desafiar a humanidade, particularmente os governantes e construtores da sociedade pluralista, na intuição de um modelo novo de convencia social e política, organizacional e produtiva.»