Genebra 2: termina a reunião em Montreux. Ban Ki-moon agradece o Papa

Entrevista com Mons. Tomasi, observador permanente da Santa Sé perante a ONU e organismos internacionais

Roma, (Zenit.org) Sergio Mora | 293 visitas

Terminou o primeiro encontro preparatório em Motreux para a conferência de Genebra 2, destinada a obter com urgência um cessar-fogo entre atores do conflito na Síria, como primeiro passo para conseguir um governo de transição, uma nova Constituição e eleições em que o sírios possam determinar o seu futuro.

A Santa Sé enviou Mons. Silvano Tomasi, representante junto ao Departamento das Nações Unidas e instituições especializadas em Genebra, que apresentaram ontem as propostas, e Mons. Alberto Ortega Martín, oficial da Secretaria de Estado.

Zenit entrevistou por telefone Mons. Silvano Tomasi que indicou os desafios que se esperam e as esperanças que se abrem, e revelou que o secretário geral das Nações Unidas, o coreano Ban Ki-moon agradeceu ao Papa Francisco pelo que está fazendo.

ZENIT: Eminência, como estão as negociações? Há sinais de esperança? Ou é uma babel onde cada um busca o próprio interesse?

- Mons. Tomasi . A situação é extremamente complexa, mas se vislumbram alguns pequenos sinais positivos. O primeiro é que ontem (quarta-feira, 22 de janeiro, n.d.t.) estavam presentes, de fato, seja o Governo da Síria que a oposição. E a comunidade internacional deu uma mensagem muito forte, com a presença de uns quarenta Governos e delegações. Quase todas elas, com exceção da Austrália e da Santa Sé, foram guiadas pelos seus ministros de Relações Exteriores .

Portanto, manifestou-se a vontade da comunidade internacional. Começando pela Kerry dos Estados Unidos, Lavrov da Rússia e o secretário das Nações Unidas, Ban Ki -moon, que ontem guiou a reunião. Vale dizer que foi um sinal claro que diz basta a esta violência e pressiona os sírios, já que eles são aqueles que têm que resolver o problema, começando com o cessar-fogo.

Amanhã (hoje, 24 de Janeiro, n.d.t.) começa aqui em Genebra as negociações concretas entre as delegações do Governo e da oposição, para encontrar um futuro acordo. É uma situação difícil, muito complicada mas é necessário procurar que algo aconteça.

ZENIT: A oposição está profundamente dividida. Entretanto, consegue ter um porta-voz ?

- Mons. Tomasi: a oposição não estava toda representada em Genebra, e especialmente há uma voz comum que quer que estas forças estrangeiras , esses grupos violentos que lutam na Síria vão para casa. Fala-se até mesmo de mais de sessenta nações de onde provêm esses grupos de mercenários e pessoas, inspiradas em extremismos, que chegam de países ocidentais e islâmicos, que são um fator desestabilizador e que complicam muito as negociações. Mas o ponto importante é que as pessoas sérias da oposição e os representantes do governo parece que querem negociar.

ZENIT: Como se faz para controlar essa galáxia de grupos extremistas que vêm de outros países?

- Mons. Tomasi: uma das recomendações da Santa Sé foi a de parar o fluxo de armas e de dinheiro de todas as partes que estão em conflito, de modo que seja possível se concentrar no direito humanitário. Ou seja, cortar o fluxo de dinheiro que chega a este grupos extremistas.

ZENIT: E Assad, a transição é possível?

- Mons. Tomasi: O ponto de partida deveria ser as conclusões da conferência de Genebra 1 realizada em Junho de 2012. Esta pede substancialmente um Governo de transição, que seja preparada uma nova constituição e sejam realizadas novas eleições livres.

Partindo desta parte do primeiro documento conclusivo de Genebra 1, é preciso dar um passo depois do outro para concretizar aquele acordo que foi aprovado pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas.

ZENIT: Abre-se uma esperança?

- Mons. Tomasi: Vejamos e rezemos, porque a situação é muito complicada.

Tradução Thácio Siqueira