Genebra 2, uma reunião de cúpula que procura uma saída de paz para a Síria

Santa Sé participa. Objetivos são o fim da violência, o diálogo, a ajuda humanitária e a liberdade religiosa

Roma, (Zenit.org) Sergio Mora | 389 visitas

Começaram em Montreux, na Suíça, uma série de reuniões prévias à conferência de paz Genebra 2, em que os principais países do mundo procurarão uma solução para o conflito na Síria. Desde o começo da revolta pacífica contra o regime de Bashar al-Assad, em março de 2011, e a conseguinte guerra civil em que participam forças estrangeiras, o país contabiliza 130 mil mortos e 2,4 milhões de refugiados.

As delegações, que são cerca de quarenta e cinco, manterão diálogo direto com o regime de Assad e com os grupos rebeldes que aceitaram participar da conferência de paz sob a égide das Nações Unidas.

A Santa Sé, observadora permanente na ONU, foi convidada a participar do evento. O Vaticano enviou seu observador em Genebra, mons. Silvano Tomasi. A Secretaria de Estado do Vaticano enviou mons. Alberto Ortega Martín.

Entre os problemas abordados estará o futuro do presidente Assad. Os Estados Unidos, a Europa e os rebeldes filo-ocidentais pedem que ele abandone o poder. O presidente sírio, apoiado por Rússia e China, porém, não quer deixar o cargo e deverá propor novas eleições, nas quais concorreria.

Não há grande consenso quanto à composição do governo de transição, nem sobre o cessar fogo, nem sobre a criação de corredores humanitários. Outro tema delicado da agenda é o intercâmbio de prisioneiros.

O secretário de estado norte-americano, John Kerry, e seu colega russo, Sergey Lavrov, se encontraram poucas horas antes da primeira reunião na Suíça, em Montreux. O presidente Barack Obama e o chefe do Kremlin, Vladimir Putin, também intercambiaram pontos de vista sobre Genebra 2 por telefone. Moscou declarou que a conversa foi “construtiva”. Além da Síria, falou-se da questão nuclear do Irã e das relações bilaterais.

Em 13 de janeiro, durante a audiência com o corpo diplomático credenciado junto ao Vaticano, o papa Francisco manifestou os seus votos de que a conferência internacional Genebra 2 "seja o começo do desejado caminho de pacificação" na Síria. É "imprescindível respeitar plenamente o direito humanitário" e não é aceitável “atingir a população civil inerme, em particular as crianças", completou o papa.

Francisco recordou o “elogiável esforço dos países, em especial do Líbano e da Jordânia, que acolheram em seus territórios, com generosidade, numerosos refugiados sírios". Ele pediu também “colaboração entre as diversas partes da sociedade civil [da Síria] e as forças políticas".

Poucos meses antes, em 5 de setembro, o papa tinha dito diante de 71 embaixadores creditados perante a Santa Sé que "é importante pedir a todos os grupos, em particular aos que tentam ocupar postos de responsabilidade no país, que ofereçam garantias de que na Síria de amanhã haverá lugar para todos, inclusive para as minorias, entre elas a dos cristãos".

Na semana passada, a Academia Pontifícia de Ciências realizou uma importante reunião com especialistas sobre a guerra civil na Síria, apelando pelo fim imediato da violência e pedindo o começo da reconstrução e do diálogo entre as comunidades.

Em 28 de dezembro de 2013, o secretário de Estado da Santa Sé, dom Pietro Parolin, e o secretário para as Relações com os Estados, dom Dominique Mamberti, receberam uma delegação do governo sírio em que estavam o ministro de Estado, Joseph Sweid, e o diretor para a seção Europa do Ministério de Assuntos Exteriores da Síria, Hussam Eddin Aala, antigo embaixador do país junto à Santa Sé. A delegação entregou uma mensagem do presidente Bashar al-Assad ao papa Francisco e informou sobre a atual posição do governo sírio.

Quanto às ações da Santa Sé pela paz, Francisco recebeu nos últimos meses diversos líderes políticos do Oriente Médio: o israelense Perez, o libanês Sleiman, o palestino Abu Mazen e o rei da Jordânia, Abdullah II. Além disso, a vigila de oração de 7 de setembro de 2013, na Praça de São Pedro, foi de notável relevância para frear a máquina de guerra que já estava sendo acionada no Ocidente para intervir na Síria.

O "ministro das Relações Exteriores" do Vaticano, Mons. Dominique Mamberti disse em 11 de novembro que os três princípios que deveriam nortear uma solução justa são:

- O trabalhar para restaurar o diálogo entre as partes para a reconciliação do povo sírio;

- Preservar a unidade do país, evitando a formação de diferentes áreas para os diversos componentes da sociedade;

- Assegurar além da unidade a integridade territorial do país;

E todos os grupos, disse o arcebispo francês, “especialmente os que querem cobrir cargos de responsabilidade no país, devem garantir que na Síria de amanhã haverá espaço para todos, também para as minorias religiosas, claramente incluído os cristãos”. Também disse “não pode ser esquecida a importância do respeito aos direitos humanos especialmente da liberdade religiosa”.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Mohamad Javad Zarif, cujo país é o principal apoio internacional de Damasco, disse que sem a presença do seu país há pouca chance de chegar a um acordo.

Bashar al -Assad , disse nesta quarta-feira que a influência política e religiosa da Arábia Saudita é "uma ameaça para o mundo" e convidou a lutar contra o ‘wahabismo’’ referindo-se à doutrina religiosa sunita da Arábia Saudita , que é uma interpretação literal do Alcorão .

A Arábia Saudita enquanto isso dá total apoio aos rebeldes que lutam contra o regime de Assad.