George Weigel: democracia não sobrevive sem «cultura democrática»

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MADRI, terça-feira, 11 de novembro de 2007 (ZENIT.org-Veritas).- O escritor George Weigel foi o convidado de honra da apresentação do IX Congresso Católicos e Vida Pública, que aconteceu nesta terça-feira na Universidade CEU San Pablo de Madri, e na qual estiveram presentes Alfredo Dagnino, presidente da Associação Católica de Propagandistas (ACdP) e da Fundação Universitária San Pablo-CEU – entidades organizadoras do Congresso – e o diretor do Congresso Católico e Vida Pública, José Francisco Serrano.



No marco deste Congresso, cujo tema será «Deus na vida pública», Weigel se perguntou em sua intervenção se podemos considerar a democracia como «uma máquina» capaz de funcionar por si só e respondeu que a democracia não sobrevive sem uma «cultura democrática» que a sustenta.

Para exemplificar, disse que na República de Weimar bastou a depressão econômica, não só para «colapsar a máquina», mas para produzir uma tragédia européia.

«Precisamos de certo tipo de pessoa para que a democracia funcione», sublinhou. Um tipo de pessoa que, segundo Weigel, deveria ser capaz de saber «por que o modo democrático de vida» é superior a outros tipos de organizações sócio políticas; por que em democracia somos «cívicos» com os que não estamos de acordo; por que respeitamos os direitos humanos; ou por que «a lei é melhor que a coação». Para o escritor, «sem respostas persuasivas» ante estas perguntas, estaremos ante uma «democracia frágil».

Neste contexto, Weigel sustentou também que em uma democracia, não se podem fugir «das argumentações morais», mas é necessário pensar «nos valores da democracia», nestes termos. O escritor poderá desenvolver certamente algumas destas idéias na conferência inaugural do Congresso, que estará a seu cargo, e no qual falará de «Laicidade e Laicismo na sociedade democrática».

Sobre estas questões, Weigel respondeu aos jornalistas que assistiram à apresentação do Congresso que «a democracia convida às pessoas a que possam expor suas convicções na vida pública», e os católicos não podem ser uma exceção, mas estão obrigados a «traduzir suas convicções sobre a fé a uma linguagem que as pessoas que não receberam o presente da fé podem compreender».

Por sua parte, o presidente da ACdP recordou a trajetória do Congresso Católicos e Vida Pública e disse que se converteu em um «referente do catolicismo social», nos quais se propuseram sempre «questões que afetam os católicos na vida pública». Dagnino sublinhou que este ano se trata do fundamental, «Deus», em alguns momentos nos quais «se nega» sua possibilidade na vida pública.

Finalmente, o diretor do Congresso argumentou que a iniciativa quer ser «uma proposta de razão pública e razão social, baseada na beleza da proposta cristã». Seguindo o esquema de anos anteriores, Serrano explicou que o programa do Congresso se estruturará em torno das grandes palestras, cujos critérios permitirão o desenvolvimento de três mesas redondas paralelas, em torno de cada uma.

As questões centrais serão «Laicidade e Laicismo na sociedade democrática»; «Os limites do poder na democracia»; «Ocidente contra Ocidente»; «Cidadania cristã: liberdade e consciência»; e «Exigência e compromisso do católico na vida pública», a conferência de encerramento que pronunciará o arcebispo de Madri, cardeal Antonio María Rouco.

Serrano destacou que nesta edição do Congresso se quis «potenciar a presença dos jovens»; neste sentido, muitos universitários prepararam comunicações que apresentarão no Congresso. Desta forma, na «noite jovem» da sexta-feira, e após a Hora Santa presidida pelo bispo de Palencia, Dom José Ignácio Munilla, os jovens poderão propor de forma aberta as questões que desejam em uma mesa de debate na qual participarão a jornalista Cristina López Schlichting e a política Gotzone Mora, entre outros.

Por último, e de forma paralela às sessões para os adultos, cerca de 150 crianças participarão do Congresso infantil, no qual o tema «Deus e a vida pública» lhes será apresentado através da experiência de «crianças santas».