Gino Bartali: em breve, "Justo entre as Nações"

Ciclista italiano transportava documentos falsos de bicicleta para salvar judeus nos anos 1940

Roma, (Zenit.org) Salvatore Cernuzio | 451 visitas

Gino Bartali, grande campeão italiano de ciclismo, não teve muitas dúvidas na hora de arriscar a própria vida para salvar a de centenas de judeus durante os anos trágicos do Holocausto. Entre 1943 e 1944, durante os seus treinos na Toscana, na Úmbria e na Emilia Romagna, Bartali escondia no cano da bicicleta documentos falsos a ser usados para ajudar os perseguidos a fugir do horror nazista. De acordo com as reconstituições históricas, os documentos eram impressos em Assis, na tipografia de Luigi e Trento Brizi, para depois ser transportados secretamente pelo ciclista, junto com as fotos para as carteiras de identidade.

Graças a estes contínuos atos de heroísmo, o inesquecível "Ginaccio" muito em breve será reconhecido como "Justo entre as Nações", ou seja, terá seu nome incluído na prestigiosa lista do Yad Vashem, o Museu do Holocausto, em Jerusalém, que presta homenagem aos não judeus que agiram corajosamente para salvar a vida ainda que fosse de um único judeu durante a Shoah. Será plantada, no Jardim dos Justos, uma oliveira com o nome do ciclista.

O processo para o reconhecimento de Bartali como "Justo entre as Nações" começou há vários anos, pouco depois da sua morte, em 2000. Foi o rabino de Florença, Joseph Levi, quem reavivou a questão, ao afirmar na semana passada, durante as comemorações do 69º aniversário da Libertação de Florença da ocupação nazi-fascista: "Provavelmente, muito em breve Gino Bartali será reconhecido como um dos ‘Justos entre as Nações’. Ainda é necessário um pouco de tempo, mas não muito. A comissão especial deverá comunicar logo o resultado das suas investigações e eu tenho motivos para esperar que esse resultado seja positivo".

O prefeito de Florença, Matteo Renzi, durante o evento no Palazzo Vecchio, lembrou o empenho da cidade e da comunidade judaica florentina para que Bartali seja adicionado à lista do Yad Vashem. "Ele era muito florentino, estava sempre resmungando, mas era um homem que agia". Ainda não há uma data definida. Espera-se, no entanto, que o campeão italiano, cuja carreira inclui mais de 200 vitórias, incluindo dois Tours de France e três Giri d’Italia, conquiste mais este reconhecimento muito em breve.