Giussani, um homem arrebatado pela beleza do encontro com Cristo

Recordação de Julián Carrón no quinto aniversário da morte do fundador de CL

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ROMA, domingo, 28 de fevereiro de 2010 (ZENIT.org).- Na característica mais significativa da personalidade e obra de Luigi Giussani deve-se buscar o fazer-se promotor de um encontro pessoal com Cristo, o único que pode responder aos anseios do coração humano.

Foi o que afirmou, em entrevista à Rádio Vaticano, Julián Carrón, presidente de Comunhão e Libertação (CL), no quinto aniversário da morte de Giussani.

“Quanto mais vamos adiante, mais sentimos a paternidade de monsenhor Giussani, cada vez mais vemos o efeito que tem sobre nossa vida e isso nos suscita a gratidão para com ele”, afirmou Carrón.

A marca de Giussani, prosseguiu, é “partir da proposta do cristianismo como um acontecimento que entra em linha com a estrutura mais profunda do ser humano, que é o coração”.

“Isso permanece sempre – acrescentou: o coração, também nas situações mais diversas das pessoas, nas feridas da vida, nas perguntas mais urgentes que homem encontra dentro de si, espera uma resposta”.

“E isso nenhuma situação cultural e social pode mudar. É por isso que quanto mais urgências há na vida, mais está o homem aberto ao possível encontro com o cristianismo. E o encontra não como uma lei, mas como um testemunho de uma Pessoa”.

Com seus ensinamentos, Giussani recordou a uma sociedade como a moderna, dominada pela auto-determinação e a auto-suficiência, que “é necessária a simplicidade, aquilo que tem o homem simples, de abrir-se a Algo que tem precisamente a energia e a capacidade de nos dar o que nós não conseguimos sozinhos”.

Monsenhor Giussani nasceu em 1922, em Desio, povoado nas cercanias de Milão. Jovenzinho, entrou no seminário diocesano de Milão, prosseguindo os estudos, completados na Faculdade teológica de Venegono.

Os anos transcorridos no seminário diocesano de Milão foram para Luigi Giussani tempos de estudo intenso e de grandes descobertas, como a leitura de Giacomo Leopardi, com a qual, contava ele mesmo, costumava às vezes acompanhar a meditação depois da Eucaristia.

Quem o educou na música foi em particular Beniamino, socialista de tendências anarquistas, que o pouco dinheiro que ganhava para convidar a casa aos domingos grupos de músicos.

Monsenhor Giussani fez um tesouro deste sofrimento, também durante seus anos de ensino no liceu Berchet, “quando – explica – para demonstrar a existência de Deus, ia à escola com um toca-discos e fazia escutar Chopin e Beethoven”.

Ordenado sacerdote a 26 de maio de 1945, Giussani dedicou-se ao ensino no seminário de Venegono. Nesses anos se especializou no estudo da teologia oriental, da teologia protestante americana e no aprofundamento da motivação racional da adesão à fé e à Igreja.

Na metade dos anos 50, pediu para poder deixar o ensino no seminário, e seguiu para as escolas médias superiores. Durante dez anos, entre 1954 e 1964, lecionou no Liceu clássico Berchet, em Milão. Começou a desenvolver nesses anos uma atividade de estudo sobre atenção ao problema educativo.

Precisamente em 1954, monsenhor Luigi Giussani deu vida, a partir do Liceu clássico Berchet, a uma iniciativa de presença cristã chamada Juventude Estudantil, com a finalidade de “elaborar uma proposta cultural própria para o crescimento a partir de dentro e dos fundamentos, do mundo juvenil e estudantil”.

A denominação atual, Comunhão e Libertação (www.clonline.org), apareceu pela primeira vez em 1969. Em 1982, o Conselho Pontifício para aos Leigos a reconheceu como associação de fiéis de direito pontifício. Esta sintetiza a convicção de que o acontecimento cristão, vivido na comunhão, é o fundamento da autêntica libertação do homem.

“A intuição pedagógica original” de CL, como escreveu João Paulo II na carta a Giussani, com ocasião do 50º aniversário do movimento, celebrado em outubro de 202, está em voltar a propor (...), de modo fascinante e em sintonia com a cultura contemporânea, o acontecimento cristão, percebido como fonte de novos valores, capazes de orientar toda a existência”.

Na carta enviada ao Santo Padre em vista daquelas celebrações, Giussani afirmou não só que não tinha pretendido “fundar nada”, mas apenas ver “o gênio do movimento” em “ter sentido a urgência de proclamar a necessidade de voltar aos aspectos fundamentais do cristianismo, o que é o mesmo, a paixão do fato cristão como tal em seus elementos originais, e basta”, onde o cristianismo “identifica-se com um Fato – o acontecimento de Cristo –, e não como uma ideologia”.

Comunhão e Libertação, para a qual não está prevista nenhuma forma de pertença, mas só a livre participação das pessoas, tem como objetivo a educação cristã madura dos próprios seguidores e a colaboração na missão da Igreja em todos os âmbitos da sociedade contemporânea.

Instrumento fundamental de formação dos seguidores é a catequese semanal denominada “Escola de comunidade”. A revista oficial do movimento é a mensal internacional Tracce - Litterae Communionis, disponível em 11 idiomas.