Grandes cidades apresentam os maiores desafios à ação da Igreja, diz arcebispo

Segundo Dom Odilo Scherer, Conferência de Aparecida enfatizou isso

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SÃO PAULO, quinta-feira, 20 de setembro de 2007 (ZENIT.org).- Para o arcebispo de São Paulo, Dom Odilo Scherer, as grandes cidades apresentam atualmente os maiores desafios à ação da Igreja.



«Em tempos passados e em ambientes mais interioranos, a Igreja esteve à frente da produção cultural e conseguiu marcar a vida do povo com sua influência; o mesmo já não acontece mais nas metrópoles, onde os geradores de cultura são tantos outros e conseguem agir com grande poder de influência», afirma Dom Odilo, em mensagem aos fiéis difundida esta semana pelo site de sua arquidiocese.

O arcebispo recorda que, para enfrentar os desafios nesse contexto, a Conferência de Aparecida dedicou atenção especial à evangelização nas cidades grandes. «Esse é o maior e mais exigente campo de evangelização dos discípulos-missionários de Jesus Cristo», afirma.

«Não é que tudo seja negativo na cultura urbana – prossegue o prelado –, onde também existem muitos valores apreciáveis; mas é certo que se afirmam sempre mais valores contrários àquilo que os cristãos crêem e propõem para a vida pessoal e social.»

Segundo Dom Odilo, «as sombras que marcam o cotidiano das cidades, como a violência, a pobreza, o individualismo e o desrespeito à dignidade humana, não devem nos impedir de buscar e propor o encontro e a contemplação de Deus também nos ambientes urbanos».

«As cidades oferecem espaços e oportunidades próprias para o encontro com Deus, que vem ao nosso encontro de maneiras, por vezes, bem surpreendentes», afirma.

O arcebispo enfatiza que, na cidade, «somos constantemente chamados a construir a solidariedade e a comunhão fraterna, a exercer o serviço abnegado ao próximo, a testemunhar os valores da justiça, do respeito e da esperança».

«Os próprios sinais físicos da existência da Igreja no meio da cidade devem manifestar a presença amorosa e providente de Deus no meio do povo, através dos templos, obras sociais, instituições culturais e caritativas, além das comunidades vivas que se reúnem para celebrar.»

De acordo com o arcebispo, é missão da Igreja testemunhar de maneira eficaz e criativa a presença de Deus na cidade.

«A Igreja tem um ideal para a cidade dos homens: que esta se torne cada vez mais “cidade de Deus”.»

«Se não conseguimos, por enquanto, mudar todas as coisas na cidade e, nela, ainda permanecem as marcas do pecado e de um reino que não é o de Deus, isso não deve nos impedir de colocar desde agora nossas energias melhores a serviço do reinado de Deus.»

«Nossa presença e atuação de discípulos-missionários de Jesus Cristo precisa ajudar a metrópole a ser melhor»; pois «uma cidade sem Deus não seria boa para seus habitantes», afirma Dom Odilo.