Grandiosidade da Capela Paulina

Explicada pelo diretor dos Museus Vaticanos

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Por Carmen Elena Villa

CIDADE DO VATICANO, domingo, 5 de julho de 2009 (ZENIT.org).- O diretor dos Museus Vaticanos, Antonio Paolucci, referiu-se aos trabalhos de restauração da Capela Paulina como uma tarefa que resgata a beleza e harmonia de algumas joias da História da Arte.

Esta capela restaurada será inaugurada neste sábado pelo Papa Bento XVI, após sete anos de trabalho de restauração.

Situada muito perto da Capela Sistina, está reservada ao Papa e à família pontifícia. Lá geralmente o Santíssimo Sacramento permanece exposto.

Dois imensos afrescos de Michelangelo adornam suas paredes laterais: “A crucifixão de Pedro” e “A queda de Saulo”. Destacam-se, além disso, alguns afrescos de Federico Zuccari e Lorenzo Sabatini sobre a vida de São Pedro e São Paulo.

O trabalho de construção da Capela Paulina começou em 1537, sob o mandato do Papa Paulo III, e foi dirigido pelo arquiteto Antonio de Sangallo.

“Michelangelo é coprotagonista de um conjunto de muitas vozes que os séculos homologaram na percepção visual”, assegurou Antonio Paolucci em uma coletiva de imprensa realizada nesta terça-feira no Palácio Apostólico para apresentar os trabalhos de restauração desta capela.

“Também porque Lorenzo Sabatini e Federico Zuccari, os principais autores chamados a confrontar-se com Michelangelo, procuraram manter um tom mais baixo em seus afrescos”, disse.

Estes artistas escolheram “aparecer não de maneira competitiva; e mais ainda, procuravam mimetizar-se à obra do venerado mestre”, indicou Paolucci.


Sete anos de restauração

O diretor dos Museus Vaticanos explicou aos jornalistas como se deu o processo de restauração: “Começamos pelo que não era de Michelangelo, isto é, pelos afrescos de Sabaitini e de Zuccari e as decorações brancas policromias e douradas”, indicou.

“Queríamos que o nível de limpeza dos murais de Michelangelo, reservados para o final, não contrastasse com as características luminosas e cromáticas do conjunto”, revelou.

“Recuperada então a gama colorida de toda a capela, (...) modulamos a limpeza da Queda de Saulo e da Crucifixão de São Pedro”, indicou Paolucci.

O diretor dos Museus Vaticanos recordou o esforço de Michelangelo ao pintar estes afrescos, cujos resultados podem ser apreciados depois de tantos séculos.

“Ele trabalhou na Capela Paulina com uma paciência esgotante, por pouco menos de 10 anos, pintando primeiro a Queda e depois a Crucifixão – explicou. Ele tinha 70 anos e uma saúde bem fraca. Tinha se desgastado muito pelo imenso esforço do Juízo e lhe preocupava o projeto da Cúpula de São Pedro.”

“Ao seu redor, via seu mundo desaparecer – continuou. Em 1547, morria a poetisa Vittoria Colonna, a amiga e confidente, e dois anos mais tarde, Paulo III Farnésio, o ‘seu’ Papa.”

Em 1550, Michelangelo concluiu seus trabalhos na Capela Paulina.

O especialista destacou as principais características pictóricas das duas obras primas. “A gama cromática e a firmeza plástica das figuras são ainda as do Juízo, mas a tensão dramática e o excesso expressionista aparecem mais fortes”, indicou.

Paolucci ofereceu então sua apresentação pessoal sobre esta obra. “Dá a impressão de que o mistério da Graça, misteriosamente oferecida a uma humanidade que não a merecia, angustia a alma do artista, que vive e testemunha, como cristão, a crise religiosa da sua época, consequência da Reforma.”

“Os afrescos de Michelangelo chegaram a nós consumados em mais pontos, cobertos por uma escura tela de sujeira, de retoques incongruentes”, destacou o diretor dos Museus Vaticanos.

Para o especialista, “a limpeza e as mínimas integrações dirigidas por Maurizio de Luca e Maria Pustka restituíram-lhe não o esplendor original, como escrevem alguns jornalistas, mas, da melhor maneira possível, sua legibilidade e prazer”.

Isso, em sua opinião, é “tudo o que se deve buscar em uma boa restauração, nada mais e nada menos”.