Há mais de 215 milhões de crianças trabalhadoras no mundo

Mais da metade, forçada a desempenhar atividades perigosas

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Por Nieves San Martin

GENEBRA, terça-feira, 11 de maio de 2010 (ZENIT.org).- Os únicos postos de trabalho que não estão em risco no mundo são os das crianças. De acordo com o último relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT), a tendência de redução do trabalho infantil diminuiu.

Relativo ao trabalho infantil, "os progressos não são bastante rápidos,nem suficientemente amplos", comentou o diretor geral do OIT, Juan Somavía.

Ainda hoje - remete a este domingo no jornal vaticano L'Osservatore Romano -, mais de 215 milhões de crianças são forçadas a trabalhar, grande parte na agricultura, para a própria família ou para outros, sem qualquer retribuição.

Mais da metade delas - 115 milhões - são empregadas em atividades perigosas, assim definidas pela o OIT, embora sem chegar às formas de verdadeira escravidão, desde a servidão por dívidas, a prostituição, passando pelo trabalho em minas ou sob condições ambientais insustentáveis.
 
Entre 2004 e 2008, o número de crianças trabalhadoras desceu de 222 para 215 milhões, com uma queda de apenas 3%, enquanto entre 2000 e 2004 a diminuição foi de 10%.

Para algumas faixas etárias, a luta contra o trabalho infantil está até mesmo em regressão. Na faixa que vai de 15 a 17 anos, foi verificado um aumento de 20%, de 52 para 62 milhões.
 
O progresso maior foi, por outro lado, determinado entre 5 e 14 anos, com uma redução significativa de 10%, embora com dados contraditórios, tanto por regiões como por tipos de trabalho.

Para estas idades, de qualquer maneira, o número de crianças usadas em trabalhos perigosos diminuiu 31%.
 
Como em outros aspectos, a situação mais preocupante é determinada na África subsaariana, onde uma criança de cada quatro é forçada a realizar trabalhos frequentemente perigosos.

Em dados absolutos, a maioria das crianças trabalhadoras está na Ásia, enquanto a redução mais significativa foi determinada na América.
 
A OIT expressou o medo de que a crise global prejudique mais o objetivo de eliminar as piores formas de trabalho infantil.

A este respeito, Juan Somavía negou que a recessão econômica possa ser uma circunstância atenuante, ou pior, uma desculpa pelo atraso da comunidade internacional em eliminar o trabalho infantil.
 
O diretor geral do OIT se lembrou que, pelo contrário, justamente a necessidade de lutar contra a crise oferece uma ocasião para colocar em andamento medidas políticas eficazes dirigidas às pessoas, à recuperação e ao desenvolvimento sustentável.