Habitantes do Zimbábue buscam desesperados um novo líder, afirma bispo

Um informe acusa Mugabe de repressão violenta

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 BULAWAYO, segunda-feira, 16 de julho de 2007 (ZENIT.org).- Nossa gente está desesperada porque o presidente Robert Mugabe perpetua-se no poder, denuncia Pius Ncube, arcebispo de Bulawayo.



Foi o que o prelado afirmou no dia 10 de julho, enquanto apresentava um informe intitulado «Empenho destrutivo: Violência, Mediação e Política no Zimbábue», publicado por «Solidarity Peace Trust», uma organização não-governamental da Igreja que trabalha pela justiça e a paz no país.

«Mugabe é um homem megalômano. Ama o poder, vive para o poder. Inclusive seu próprio partido está pedindo que ele saia», disse o arcebispo.

No documento de 44 páginas, o regime de Mugabe é acusado de uso contínuo da violência contra os opositores políticos para manter o poder.

«Dos 414 indivíduos entrevistados, 30%, quer dizer 122, informaram sobre torturas entre março, abril e maio de 2007 – afirma o informe –. Este é um dado surpreendentemente alto, e apresenta somente a ponta do iceberg no Zimbábue.

«À parte da tortura por motivos políticos, a tortura dos presos sob suspeita de haver cometido uma ofensa criminal é rotineira em Zimbábue».

O informe acrescenta: «90% dos atentados, instituições do governo como a polícia, a organização central de inteligência, o departamento de investigação criminal e o exército» estão implicadas.

Mais de três quartos dos casos sobre os que se informou tiveram lugar na capital, Harare, «uma das maiores áreas urbanas consideradas território da oposição», acrescenta.

O lançamento do informe aconteceu enquanto o presidente Mugabe ordenava o corte dos preços devido à atual inflação e a estendida carestia.

O Serviço de Informação Católico da África informou que mais de 1.300 gestores e proprietários de supermercados foram presos por negar a vender suas mercadorias a preços mais baixos.