Haiti: tragédia em meio à tragédia

Furacão Sandy abala o país que ainda não se recuperou do terremoto de 2010

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PORTO PRÍNCIPE, terça-feira, 13 de novembro de 2012 (ZENIT.org) - As consequências da passagem do furacão Sandy pelo Haiti estão se revelando mais graves do que pareciam. Sandy “passou de raspão” pelo país, sem atingi-lo em cheio, mas, mesmo assim, deixou estragos enormes.

De acordo com o diário vaticano L'Osservatore Romano, chegam a setenta as mortes no país, que ainda nem se recuperou da catástrofe histórica do terremoto de 2010. Outras vinte pessoas morreram vítimas de um novo surto da epidemia de cólera causada pelas condições insalubres em que vivem os habitantes desde o terremoto. Desde 2010, a epidemia já provocou 7.600 mortes e contagiou 600.000 pessoas.

O prefeito de Cap Haitienne, Wilborde Beon, afirma que "é muito difícil fazer um balanço preciso das vítimas", porque "todos os bairros populares foram invadidos pela água". As autoridades locais transferiram muitos moradores para abrigos provisórios.

A fundação católica Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) lançou um apelo de emergência em prol do povo haitiano. O furacão desalojou 200.000 pessoas que pediram ajuda à Igreja. Suas plantações foram arruinadas e boa parte do gado morreu na tragédia.

Em resposta a uma solicitação urgente do bispo Joseph Gontrand Décoste, da cidade de Jérêmie, sudoeste do Haiti, a AIS anunciou um pacote de ajuda humanitária além do apoio habitual para reparar capelas e outras estruturas eclesiais.

O bispo Décoste afirma: “Sandy destruiu 70% das colheitas na diocese de Jérêmie e causou uma grande perda de gado. Os danos no campo e nas hortas deixaram muitos granjeiros com medo da falta de comida".

A AIS oferecerá ajuda inclusive em sementes e gado, o que é inusitado para a fundação. Rafael D’Aqui, presidente da seção latino-americana, explica esta decisão: "É uma assistência para aqueles que agora carecem das provisões mais básicas. Como norma, a nossa entidade promove principalmente (...) iniciativas pastorais, que fortaleçam a fé das pessoas e as motivem a ajudar os outros. Não se trata só de ajuda financeira, mas de não deixar as pessoas sozinhas no meio do sofrimento". A ajuda de vinte mil dólares abrange também os flagelados de Cuba.

(Trad.ZENIT)