Histórias de dois papas santos

João XXIII e João Paulo II serão canonizados no dia 27 de abril na Praça de São Pedro

Madri, (Zenit.org) Redacao | 384 visitas

Muitas são as histórias relatadas sobre a vida de João XXIII que demostram o seu singelo e espontâneo senso de humor. Contam que, na sua primeira noite como pontífice, ele pediu ao cardeal Nasalli que ficasse para jantar com ele. Mas o purpurado lhe respondeu que era costume que os papas comessem sozinhos. O recém-eleito respondeu: "Mas nem sequer como papa vão me deixar fazer o que me der na telha?". O cardeal, aceitando então o convite, perguntou: "Santidade, posso trazer champanhe?". João XXIII respondeu: "Pode sim, por favor, mas não me chame de Santidade, porque cada vez que você faz isso parece que está brincando comigo!".

Conta-se também que o seu primeiro gesto, horas depois de ser eleito como Sucessor de Pedro, foi aumentar o salário dos carregadores da cadeira papal, que era usada até aquela época: "Eu peso quase cem quilos a mais que Pio XII", brincou João XXIII. Ele mesmo aboliria, pouco depois, esse antigo uso da cadeira papal.

O Papa Bom tinha sido sargento sanitário durante a Primeira Guerra Mundial e, com bom humor, recordava esse fato aos mais pomposos. Um dia, um capitão da Gendarmaria Vaticana se ajoelhou aos seus pés e João XXIII lhe disse: "Mas levante-se, homem! Você é um capitão e eu sou só um sargento!".

No começo do seu pontificado, João XXIII teve que posar para os fotógrafos para tirar as fotos oficiais como novo pontífice. Em certa ocasião, imediatamente depois de posar diante das câmaras, ele recebeu em audiência o famoso monsenhor Fulton Sheen, que era um bispo muito conhecido nos Estados Unidos porque pregava na televisão. Ao saudá-lo, o pontífice lhe disse com toda a simplicidade: "Veja só. Deus nosso Senhor já sabia muito bem, há setenta e sete anos, que eu iria ser eleito papa. Será que Ele não podia ter me feito mais fotogênico?".

De João Paulo II também há uma grande quantidade de relatos que refletem uma personalidade singelamente humana. No dia do início do conclave que resultaria na sua eleição, o carro que levava o futuro papa João Paulo II sofreu uma pane. O cardeal Wojtyla então pediu carona e um caminhoneiro o levou diretamente à Praça de São Pedro. Ele chegou tão apertado de tempo que quase não pôde participar do conclave. De fato, Wojtyla foi o último purpurado a entrar na Capela Sistina.

Certo dia, recém-chegado do hospital Gemelli, onde tinha sido operado por causa de uma ruptura de fêmur, o pontífice polonês recebeu um bispo, que se entreteve elogiando o bom aspecto físico que o papa apresentava. "Sabe o que lhe digo, Santidade? O hospital lhe fez muito bem. Está inclusive melhor do que antes de entrar no Gemelli". O papa o olhou fixamente, com ar de quem ia fazer uma piada, e respondeu: "Pois então, meu caro, por que você não se interna lá também?".