Histórico encontro entre o Papa Francisco e Tawadros II

O chefe da Igreja Ortodoxo- Copta do Egito convidou o Santo Padre a visitá-lo em Alexandria

Cidade do Vaticano, (Zenit.org) | 588 visitas

Um momento histórico com apenas um precedente. O encontro desta manhã na Biblioteca do Palácio Apostólico Vaticano, entre o Papa Francisco e Tawadros II, papa de Alexandria, Patriarca da Sé de São Marcos e chefe da Igreja Ortodoxo-Copta do Egito, ocorreu 40 anos depois do encontro entre os seus respectivos predecessores, Paulo VI e Papa Shenouda III.

A visita de hoje "fortalece os laços de amizade e fraternidade que já unem a Sé de Pedro e a Sé de Marcos, herdeiro de um legado inestimável de mártires, teólogos, santos, monges e fiéis discípulos de Cristo, que por gerações  e gerações testemunhou o Evangelho, muitas vezes em situações de grande dificuldade”, disse o Bispo de Roma, acolhendo o hóspede.

O Santo Padre referiu-se depois aos progressos no caminho ecumênico entre a Igreja Católica e as Igrejas Ortodoxas Orientais amadurecidos nos últimos 40 anos.

Nesse encontro, o Pontífice recordou que Paulo VI e Shenouda III emitiram uma Declaração conjunta na qual se evidenciava os principais traços comuns entre as duas igrejas, entre os quais “a vida divina” que “nos é dada e alimentada por meio dos sete sacramentos”, a “comum veneração da Mãe de Deus” e o Batismo “do qual é expressão especial a nossa comum oração, que anela pelo dia, no qual, cumprindo-se o desejo do Senhor, poderemos comungar no único cálice”.

Francisco mencionou em seguida o mais recente encontro entre o beato João Paulo II e Shenouda III, acontecido em fevereiro de 2000. “Estou convencido que, com a guia do Espírito Santo, a nossa oração perseverante, o nosso diálogo e a vontade de construir dia a dia a comunhão no amor recíproco nos permitirá dar novos e importantes passos rumo à plena unidade”, acrescentou.

Entre as recentes iniciativas ecumênicas incentivadas pelo patriarca ortodoxo-copta de Alexandria, o Santo Padre elogiou em especial a Instituição do “Conselho Nacional das Igrejas cristãs”, que representa “um sinal importante da vontade de todos os crentes em Cristo de desenvolver na vida cotidiana relações sempre mais fraternas e de colocar-se a serviço de toda a sociedade egípcia ".

Citando São Paulo (cf. 1 Cor 12, 26), o papa Francisco disse que há também um "ecumenismo do sofrimento", em que a partilha do sofrimento diário "pode ​​se tornar um instrumento eficaz de unidade". A partir deste sofrimento comum "podem de fato germinar, com a ajuda de Deus, perdão, reconciliação e paz”.

Por sua parte Tawadros II desejou que o de hoje “possa ser só o primeiro de vários encontros de amor e de fraternidade entre as duas grandes Igrejas”. Então propôs que o dia 10 de maio se torne o dia da “festa do amor fraterno entre a Igreja católica e a copta-ortodoxa”.

A visita de hoje ao Vaticano representa a primeira viagem de Tawadros II desde que tomou posse como chefe da Igreja Copto-ortodoxa, como lembrou o mesmo Patriarca, que em janeiro quis participar em pessoa da posse do Patriarca Ibrahim Isak, seu homólogo para a Igreja Católica do Egito.

O Papa dos coptos disse estar muito feliz por visitar a Cidade do Vaticano que, “apesar de ser o menor Estado do mundo, seja em população que por extensão, é também o mais importante, graças á sua influência e o seu santo serviço”.

Esperando por uma maior consolidação do caminho ecumênico, Tawadros II assegurou ao Papa Francisco a própria oração para que o Bispo de Roma seja fortalecido por Deus na sua “santa missão” e, finalmente, disse estar muito feliz de poder receber o Santo Padre em uma eventual visita pastoral no Egito.