Homilética: Domingo de Ramos

Comentário do Pe. Antonio Rivero, L.C. sobre a liturgia dominical

São Paulo, (Zenit.org) Pe. Antonio Rivero, L.C. | 512 visitas

COMENTÁRIO À LITURGIA DOMINICAL

Domingo de Ramos
Ciclo A
Textos: Mateus 21, 1-11; Isaías 50, 4-7; Filipenses 2, 6-11; Mateus 26, 14-27. 66

P. Antonio Rivero, L.C. Doutor em Teologia Espiritual, professor e diretor espiritual no seminário diocesano Maria Mater Ecclesiae de São Paulo (Brasil).

Idéia principal: Dois gritos são escutados hoje na liturgia do Domingo de Ramos: “Hosana” e “Crucifica-o”. E os dois dirigidos a Jesus, o Cordeiro de Deus. São duas pontes que todos devemos atravessar na vida.

Resumo da mensagem: No domingo passado contemplamos a vitória do Senhor sobre o último e mais temível inimigo: a morte, antecipando a vitória final da ressurreição. Hoje, a Igreja nos vai preparando para poder cantar, no seu momento, o hino de vitória, o da sequência pascal: “Duelam forte e mais forte: é a vida que enfrenta a morte.

O Rei da vida, cativo, foi morto, mas reina vivo!”. Mas para chegar a este momento, Cristo teve que atravessar duas pontes: a ponte do “Hosana” e a ponte do “Crucifica-o”. Cristo, diante do grito “Hosana” não se vangloriou, pois tinha o olhar colocado na missão redentora encarregada pelo Padre. Diante do grito “Crucifica-o” não resistiu nem recuou (primeira leitura); ao contrário, se despojou de si mesmo e foi obediente até a morte (segunda leitura), nos dando o seu Corpo como comida, o seu Sangue como bebida, o seu Espírito como alento e Maria como mãe.

Pontos da idéia principal:

Em primeiro lugar, no Domingo de Ramos, Jesus escutou o “Hosana” dos bons corações de tanta gente em Jerusalém. São palmas e aclamações. O quê fez, que reação teve Jesus? Ele elevava estas aclamações ao seu Pai celeste e elas lhe davam ânimo para seguir o caminho até a imolação livre e amorosa da sua vida para salvar a humanidade.

Em segundo lugar, mas também neste dia Jesus escutou com muita tristeza e dor o grito insano e louco “Crucifica-o”, orquestrado por pessoas invejosas e soberbas que queriam matá-lo, se livrar dele, porque a sua mensagem era diversa – não contraditória – da que eles seguiam. Das palmas do “Hosana” às lanças do “Crucifica-o”. O quê fez, que reação teve Jesus? Sofreu em silêncio, perdoou todos. Amou o seu Pai. Subiu na cruz para morrer, e assim salvar todos os homens.

Finalmente, nós, na nossa vida humana e cristã teremos que atravessar muitas vezes estas duas pontes: a ponte do “Hosana”, ou seja, a ponte dos aplausos, dos sucessos, da festa. Mas talvez, virando a esquina, me espera a outra ponte, a ponte do “Crucifica-o”, que é a ponte da humilhação, do fracasso, da difamação, do desprezo, da calúnia. Como devemos reagir? Com os mesmos sentimentos de Cristo Jesus (segunda leitura). Diante da primeira ponte, a fácil, com gratidão, elevando os nossos olhos ao céu. Diante da segunda, a cruel, com paciência, com capacidade de perdão e oferecendo tudo a Deus, para que nos sirva de purificação e de união com o sacrifício de Cristo.

Para refletir: Eu também sou dos que dizem “Hosana”, louvando o Senhor, e poucos dias, ou inclusive horas depois, grito “Crucifica-o”? O que prefiro e peço a Deus para mim na oração, o “Hosana” ou o “Crucifica-o”? Que personagem quero ser nesta semana santa: Pedro, Judas, os soldados, Pilatos, Herodes, Simão de Cirene, os fariseus e sumo sacerdotes, Maria, João ... ?
Para qualquer sugestão ou dúvida, podem se comunicar com o padre Antônio neste e-mail: arivero@legionaries.org