Homilética: Oitavo domingo do Tempo Comum

Comentário do Pe. Antonio Rivero, L.C. sobre a liturgia dominical

São Paulo, (Zenit.org) Pe. Antonio Rivero, L.C. | 461 visitas

Ciclo A

Textos: Isaías 49, 14-15; 1 Coríntios 4, 1-5; Mateus 6, 24-34

Ideia principal: o seguidor de Cristo deve se confiar às mãos da Providência de Deus. Não soltemos sua mão.

Resumo da mensagem: Se Deus é nosso Pai amoroso, então não devemos andar preocupados pelas coisas temporais, mas devemos nos ocupar com o hoje, tentando cumprir com amor a vontade de Deus Pai e pondo nossas preocupações no coração terno desse Pai Deus Providente, como os pássaros do céu e as flores do campo fazem. Somos peregrinos destinados à eternidade. Nas mãos de Deus chegaremos seguros.

Pontos da ideia principal:

Em primeiro lugar, vejamos Cristo totalmente entregue às mãos do Pai celeste. Acaso faltou-lhe alguma vez o carinho do Pai? Deus o fez nascer numa manjedoura. Levou-o ao Egito, quando Herodes o ameaçava. Voltou à sua aterra Nazaré e vivia tranquilo por causa do trabalho de seu pai José, e por isso foi chamado “filho do carpinteiro”. Ao sair para seu apostolado, não lhe faltou sequer uma pedra onde reclinar a cabeça, nem um pedaço de pão para se alimentar, graças aos amigos que ele tinha nos diversos povoados. Seu Pai Providente lhe concedeu colaboradores –os primeiros apóstolos- para que o ajudassem na pregação, no cuidado dos doentes e no serviço à humanidade. Tampouco poupou sofrimentos, porque, no plano de Deus, são necessários para manifestar o amor autêntico que tinha por todo homem e mulher.

Em segundo lugar, vejamos tantos homens e mulheres longe da mão de Deus Providente, preocupados pelos bens temporais ao ponto de se tornarem escravos dos mesmos. Preocupados pelo dinheiro, pelo trabalho, pela saúde, pela fama, pelo futuro dos filhos, pela sobrevivência e seguros de vida. Preocupados pelas férias. Preocupados pelos “hobbies” esportivos e culturais. E Deus e seu Reino? E a família e sua salvação? E a comunidade e o apostolado? E os valores morais? “Se tanto é o cuidado que Deus tem pelas flores da terra que, ao pouco tempo que nascem e são vistas, já morrem, acaso ele desprezará os homens que ele criou, não para um tempo determinado, mas para que vivam eternamente?” (São João Crisóstomo).

Finalmente, é ainda válida esta chamada à confiança em Deus Providente no nosso mundo de hoje? Deus não mudou nem corrigiu seu desígnio: ou Deus ou a comida; ou Deus ou a fama; ou Deus ou os prazeres; ou Deus ou as vestes; ou Deus ou o dinheiro. Certo, é necessário se alimentar e vestir e procurar os meios de subsistência dos nossos, mas sem angústia. Não é um convite à ociosidade, à irresponsabilidade, mas a evitar a angústia e o excessivo afã de possuir. A cada dia bastam seus próprios desgostos e não vale a pena adiantar as angústias que nos acontecerão amanhã. Cristo nos convida a procurar o essencial nessa vida e a pôr cada coisa em seu lugar, vencendo a tentação do consumismo. Não levantemos altares ao dinheiro, ao prazer, à comida. Que o coração e as mãos estejam livres, para servir a Deus e o seu Reino. Deus é o absoluto. O resto é relativo. Nosso coração estará inquieto até descansar em Deus (Santo Agostinho).

Para refletir: Que coisa me angustia? Que me produz estresse? Os pagãos procuram essas coisas materiais com obsessão. Nós somos peregrinos. Juntemos tesouros no céu, pois confiamos no Deus Providente.

Para qualquer sugestão ou dúvida, é possível contatar o padre Antonio pelo e-mail: arivero@legionaries.org