Homilética: Quarto domingo da Quaresma

Comentário do Pe. Antonio Rivero, L.C. sobre a liturgia dominical

São Paulo, (Zenit.org) Pe. Antonio Rivero, L.C. | 437 visitas

Ciclo A

Textos: 1 Samuel 16, 1. 6-7.10-13; Efésios 5, 8-14; João 9, 1-41

Idéia principal: A cegueira do corpo e a cegueira da alma. Cristo é a luz para ver.

Resumo da mensagem: No seu encontro com a samaritana, Jesus nos falou do mistério da vida sobrenatural por meio do símbolo da água (domingo passado). Hoje nos fala da vitória da luz divina sobre as trevas do pecado por meio do símbolo da doença e da cegueira (evangelho). Somente assim, curados da cegueira, viveremos como filhos da luz e daremos frutos de luz: bondade, justiça, pureza, caridade e verdade (segunda leitura). Somente assim conservaremos a unção do nosso batismo, com a qual Deus nos fez participar da sua graça e abriu os nossos olhos à sua luz, nos librando da cegueira (primeira leitura)

Pontos da idéia principal:

Em primeiro lugar, a Quaresma é uma chamada para fazer uma boa confissão dos nossos pecados, pois eles são a causa da nossa cegueira espiritual. O pecado nubla e ofusca a nossa mente, mancha e prostitui a nossa afetividade, debilita a nossa vontade. E assim adoecemos de cegueira espiritual, de apatia anímica e de depressão, como este cego de nascença (evangelho), que estava jogado fora do templo pedindo esmola. Jesus exige que nos aproximemos d’Ele com fé, que gritemos com confiança e que obedeçamos quando nos mande descer para nos banhar na piscina de Siloé da confissão. Este cego, já curado da cegueira, tem um processo de visão impressionante: primeiro confessa Jesus como “este homem”; depois o reconhece como profeta; e, finalmente, como Deus. Se abriu ao dom da fé que Jesus lhe ofereceu.   

Em segundo lugar, Jesus apresenta a sua missão salvífica como um dramático conflito entre a luz e as trevas. O mundo malvado se esforça para apagar a Luz de Cristo, porque os homens que o integram preferem as trevas à luz, já que as suas obras são más. A hora da paixão, que vivemos na Semana Santa é a “hora das trevas” por excelência. Nós temos que ser filhos da luz, e por isso, caminhar na luz (segunda leitura). Temos que achegar-nos a essa piscina de Siloé que é a confissão, para que Cristo nos cure da cegueira espiritual, que nos impede de ver as coisas da perspectiva de Deus e como Deus as vê. Só os fariseus de coração continuarão cegos, porque não querem aceitar Jesus. Altivos, não quiseram deixar-se iluminar por Jesus. Creiam que viam, que possuíam o reto conhecimento de Deus; mas na realidade, fecharam os olhos à luz, que é Cristo; vão à sua perdição. Ao contrário, o cego, imagem do homem simples e reto, se abre à fé, recuperando a vista. Assim, reconhece Jesus como salvador, e se salva.

Finalmente, cada um de nós deve se aproximar de Cristo Luz, que quer iluminar a nossa vida, a nossa alma, os nossos projetos, as nossas empresas. Cristo deseja me curar da minha hipermetropia, da minha presbiopia, da minha miopia, do meu daltonismo. Somente devo me aproximar da confissão, confessar os meus pecados, aceitar o seu perdão e sair com uma vida nova, com os olhos curados. “Não existe pior cego do que aquele que não quer ver”.    

Para refletir: Deixamos que a luz de Cristo nos penetre? Reconhecemos que somos cegosde nascença, por culpa do pecado? Levamos a luz de Cristo aos nossos irmãos que ainda estão cegos? Que frutos de luz estamos dando ao nosso redor?

Para qualquer sugestão ou dúvida, podem se comunicar com o padre Antonio neste e-mail: arivero@legionaries.org

P. Antonio Rivero, L.C. Doutor em Teologia Espiritual, professor e diretor espiritual no seminário diocesano Maria Mater Ecclesiae de São Paulo (Brasil).