Homilética: Quinto domingo da quaresma

Comentário do Pe. Antonio Rivero, L.C. sobre a liturgia dominical

São Paulo, (Zenit.org) Pe. Antonio Rivero, L.C. | 388 visitas

Ciclo A

Textos: Ezequiel 37, 12-14; Romanos 8, 8-11; João 11, 1-45

Ideia principal: o Cristo Pascal veio para nos tirar, para nos ressuscitar do nosso sepulcro do pecado (primeira leitura e evangelho), e dar-nos uma vida nova de ressuscitados, para não viver mais segundo a carne, porém segundo o Espírito (segunda leitura).

Resumo da mensagem: Cristo, além de ser Água viva (segundo domingo) e Luz (terceiro domingo), também é Vida e Ressurreição (quarto domingo). Cristo não quer que a nossa vida fique no sepulcro do nosso pecado e se apodreça. Quer que morramos ao nosso homem velho para depois ressuscitarmos e fazer-nos homens novos, segundo o Espírito.

Pontos da ideia principal:

Em primeiro lugar, a ressurreição de Lázaro do sepulcro mostra o ponto culminante da atividade de Jesus. É o maior dos seus milagres. Mediante este extraordinário milagre, o Senhor trata de vencer a incredulidade dos judeus. Na batalha entre a fé e a incredulidade, Jesus oferece o dom de um testemunho maior. Mas o coração dos judeus se fecha e isso os leva a tomar a decisão oficial de matar o Cordeiro inocente, e também de matar Lázaro, que era um testemunho vivo do poder divino de Cristo. O caminho da cruz está desde agora traçado, porém no plano de Deus a cruz será o umbral da exaltação e glorificação do Pai no seu Filho. O complot dos homens, no plano da Providência, serve para os desígnios de Deus.

Em segundo lugar, se Lázaro é amigo íntimo de Jesus, o Senhor da vida, por que Jesus permite que morra e o coloquem no sepulcro? Jesus permite um mal para manifestar a glória de Deus. Jesus não usa o seu poder divino para evitar a morte ignominiosa da cruz. Por isso, irá ao encontro da sua própria morte por decisão pessoal. Irá em busca da sua “hora”, essa hora que tanto o angustiava, mas que ao mesmo tempo desejava com ardor, porque será a hora da glorificação do seu Pai e da nossa salvação mediante o Mistério da sua morte e ressurreição. Tal é a razão pela qual não impediu a morte do seu amigo Lázaro, para que resplandecesse a glória do seu Pai, da mesma maneira como não evitaria a sua própria morte, para que o Pai fosse plenamente glorificado no Filho. Somente assim nos tiraria do sepulcro e nos daria uma vida nova. A morte e a ressurreição de Lázaro constituem um prelúdio da sua própria morte e ressurreição. Vendo esta ressurreição, os apóstolos consolidarão a sua fé e se prepararão para a grande prova da Paixão.

Finalmente, hoje Jesus também quer gritar a cada um de nós, como então gritou a Lázaro: “Lázaro, vem para fora!”. Sai do sepulcro do pecado. Sai da incredulidade. Sai da preguiça. Sai do desânimo. Sai do egoísmo. Cristo não quer que nos apodreçamos no sepulcro do pecado, pois “a glória de Deus é o homem vivente”, dizia Santo Irineu. Saiamos e veremos a luz, a vida e a ressurreição de Cristo. No sepulcro só existem vermes, escuridão, decomposição e morte. E Cristo é o Senhor da vida, e Ele quer nos fazer partícipes da sua vida divina e imortal.

Para refletir: estou no sepulcro do pecado ou já experimentei durante a Quaresma a vida nova em Cristo Jesus? Cada vez que peco, escuto a voz de Cristo: “vem para fora”? Acredito que Cristo é Vida e Ressurreição para os que o seguem?

Qualquer sugestão ou dúvida podem se comunicar com o padre Antonio neste e-mail: arivero@legionaries.org