Homilética: Segundo domingo da Quaresma

Comentário do Pe. Antonio Rivero, L.C. sobre a liturgia dominical

São Paulo, (Zenit.org) Pe. Antonio Rivero, L.C. | 499 visitas

Ciclo A

Textos:  Gênesis 12, 1-4; 2 Timóteo 1, 8-10; Mateus 17, 1-9

Tema: A fé é necessária para compreender os mistérios de Deus.

Ideia principal: pedagogia da , ou seja, o modo pelo qual Deus nos comunica seus mistérios durante nossa peregrinação terrena.

Resumo da mensagem: nessa Quaresma, Cristo nos convida a subir com Ele ao monte Tabor, onde nos revelará sua glória e beleza, e nos dará ânimo antes de empreender a subida do Calvário (evangelho). Só através da podemos descobrir, sem nos escandalizar, a divindade de Jesus através de sua humanidade sofredora (segunda leitura). Ao modo como também Moisés, só graças à , confiou em Deus, deixou sua terra cômoda e fértil para que Deus lhe comunicasse seus mistérios e seu plano (primeira leitura).

Pontos da ideia principal:

Em primeiro lugar, a quaresma é um convite de Deus para deixar, como Abraão, nosso “modus vivendi” tranquilo, cómodo e sossegado, para empreender o caminho guiados pela luz da e para subir o monte santo da Páscoa, passando, porém, pela dolorosa senda da cruz de Cristo. A luz da é suficientemente clara para nos guiar pelo caminho reto traçado por Jesus para chegar à vida eterna. É, além disso, suficientemente escura para que tenhamos mérito no crer, para que possamos colocar livremente nossa confiança em sua palavra, ainda que o que Deus nos pede seja humanamente incompreensível.

Em segundo lugar, só a partir da terei nesse domingo um encontro místico com Cristo no Tabor, onde Ele se revelará a mim em todo seu esplendor e encanto, como o experimentaram seus discípulos íntimos: Pedro, Tiago e João. Vejamos a cena: uma montanha e uma noite, luz e ruído, três espectadores, dois atores e um protagonista, Jesus. Argumento da obra: a Divindade. Título da obra: Jesus é Deus. Dá-se o desfecho. Também Inácio de Loyola fez esta experiência: “Muitas vezes e por muito tempo, estando em oração, ele via com os olhos interiores a humanidade de Cristo e a figura que lhe aparecia era como corpo branco” (Autobiografia III,29), “como sol” (ib. XI,99). “Se não houvesse Escritura que nos ensinasse estas coisas da fé, ele –Inácio- se determinaria a morrer por elas, somente pelo que ele viu” (ib.).

Finalmente, necessitamos deste encontro místico com Cristo, como Pedro, Tiago, João, Inácio de Loyola, Teresa de Jesus, Teresa de Calcutá. Mas a partir da , certamente. Moisés necessitou da para guiar o povo do Egito até a Palestina durante quarenta anos de desastres, batalhas, crises religiosas, castigos de Deus, fidelidades de Deus... Inácio precisou da para fundar a Companhia de Jesus apesar dos ventos e tormentas dos príncipes, teólogos e Papas. Necessitaram da estes três apóstolos que, dentro de alguns meses,  entrariam com Jesus no Getsêmani e se escandalizariam dele, deixando-o sozinho. Só depois da ressurreição renovaram esta fé em Cristo-Deus que brilhou no Tabor. Eu necessito deste encontro místico para não deformar a religião, buscando substitutos da fé.

Para refletir: como está minha em Cristo? Minha fé continua firme também quando vê Jesus ultrajado e pendurado na cruz? Os silêncios de Deus me assustam? Sobe à mística da oração, não fiques na planície. Depois desce à planície cheio do esplendor místico de Cristo, feito caridade e ternura, como o Papa Francisco gosta de dizer.

Para qualquer sugestão ou dúvida, é possível contatar o padre Antonio pelo e-mail: arivero@legionaries.org