Homilética: Segundo domingo depois do Natal

Comentário do Pe. Antonio Rivero, L.C. sobre a liturgia

São Paulo, (Zenit.org) Pe. Antonio Rivero, L.C. | 629 visitas

HOMILÉTICA

COMENTÁRIO À LITURGIA DOMINICAL

Segundo domingo depois do Natal, 5 de janeiro de 2014

Ciclo A

Textos: Eclesiástico 24, 1-4.12-16; Efésios 1, 3-6.15-18; João 1, 1-18

P. Antonio Rivero, L.C. Doutor em Teologia Espiritual, professor e diretor espiritual no seminário diocesano Maria Mater Ecclesiae de São Paulo (Brasil).

Antes de tudo, quero em meu próprio nome, congratular os meus leitores pelo ano novo que o bom Deus nos concedeu. Que seja um ano cheio de paz e amor.

Ideia principal: Deus, em Cristo, armou a sua tenda no meio de nós.

Resumo da mensagem: Deus se encarnou e acampou no meio de nós, colocou a sua tenda no meio de nós, expressão esta que é usada por São João no evangelho de hoje, e que foi usada anteriormente no livro do Êxodo para assinalar o lugar de reunião entre Deus e o seu povo, a morada de Javé.

Aspectos da ideia principal:

Em primeiro lugar, Deus armou a sua tenda no meio de nós (Evangelho). Em Jesus, se fez um de nós, com carne e sangue como nós. Esta é a sua tenda. A sua tenda, Ele mesmo, com o Seu corpo, permanece no meio de nós, como um de nós. A tenda, para os judeus e os habitantes do deserto, é algo habitual. Quando eles vão caminhando, dia a dia, chegam em algum lugar e se estabelecem aí, para viver aí. Armar a tenda quer dizer que acomodam tudo, e vão dispondo tudo, de maneira que possam se estabelecer. Não é simplesmente armar uma tenda de campanha; é chegar, armar a tenda no meio da terra, acomodá-la e colocar dentro todos os utensílios para a vida, assim como os animais e todas as demais coisas. Armar a tenda significa se estabelecer, se introduzir na vida.

Em segundo lugar, nos perguntemos por que Deus arma a sua tenda no meio de nós. Ele fez isso para ficar conosco, para viver no meio de nós, nós somos a sua tenda, Ele está aqui para nos transformar, para nos conhecer. Ele se faz carne para conhecer a nossa fragilidade, a nossa pequeneza, a nossa dor, e se estabelece aqui, arma a sua tenda para estar sempre perto de nós. Deus quer estar conosco, e quer entrar nas nossas vidas, mas não para que o encerremos nas nossas categorias, nos nossos esquemas, nas nossas formas de pensar. Deus vem, em Jesus, para que descubramos n´Ele a verdadeira sabedoria (primeira leitura), a novidade da nossa filiação divina (segunda leitura) e sejamos capazes de entender essa palavra que é luz e vida (Evangelho). Certamente, isto é um absurdo para muitos, porque vemos em Deus algo distante, algo sem sentido, uma mera ideia, um absurdo, uma quimera mais, alguém que nos incomoda com a sua tenda. E por isso, não lhe deixamos acampar no nosso coração.

Finalmente, celebrar, pois o Natal significa ser capazes de ir á tenda, entrar nela, nos encontrar com Ele e descobrir quem Ele é realmente. Ele armou a sua tenda - a sua humanidade, diria Santa Teresa-. Só precisamos entrar nesta tenda para chegar à sua divindade. Não sou eu quem o instalo na minha tenda. Foi Ele quem se instalou nela, para alargá-la, limpá-la, divinizá-la. Sem essa verdade, o Natal não tem nenhum sentido; fica no nascimento, na árvore, nos presentes. Deixemo-Lo acampar na nossa vida, na nossa família, no nosso lugar de trabalho e nos nossos projetos. A Eucaristia não é o prolongamento desta tenda que começou no dia da Encarnação?

Para refletir: Por quê não quero entrar nessa tenda? Por quê não quero confrontar a minha vida com a Vida, a minha verdade com a Verdade, a minha luz com essa Luz?

Para qualquer sugestão ou dúvida, podem se comunicar com o padre Antônio neste e-mail: arivero@legionaries.org