Homilética: Terceiro Domingo de Páscoa

Comentário do Pe. Antonio Rivero, L.C. sobre a liturgia dominical

São Paulo, (Zenit.org) Pe. Antonio Rivero, L.C. | 516 visitas

COMENTÁRIO À LITURGIA DOMINICAL

Terceiro Domingo de Páscoa

Ciclo A

Textos: Atos 2, 14.22-33; 1 Pe 1, 17-21; Lc 24, 13-35

Pe. Antonio Rivero, L.C. Doutor em Teologia Espiritual, professor e diretor espiritual no seminário diocesano Maria Mater Ecclesiae de São Paulo.

Idea principal: para reconhecer a Cristo ressuscitado nas nossas vidas precisamos dos olhos da fé, os pés da esperança bem ágeis e coração abrasado.

Resumo da mensagem: Jesus ressuscitado está presente realmente entre nós. Para perceber a sua presença temos que ter os olhos da fé bem abertos para a luz da Palavra de Deus, os pés bem ágeis para caminhar pela vida com asas da esperança e o coração aquecido pela Eucaristia para reconhecer Jesus no partir do pão.

Pontos da ideia principal:

Em primer lugar, para reconhecer a presença de Cristo ressuscitado precisamos que nossos olhos da fé estejam bem abertos para ser iluminados pela Palavra de Deus que é luz no caminho da vida e nos explica todos os eventos da história da salvação. A Escritura nos dá a visão correta sobre Deus, sobre Cristo, a Igreja, o homem e todos os eventos de nossas vidas. A Escritura é bússola que marca o norte. Sem isso, teremos uma visão horizontalista, relativista e parcial de tudo, como os dois discípulos de Emaús. Deixemos que seja Cristo que nos explique, através da Igreja, as Escrituras para que estejamos abertos ao entendimento e nos retire as teias de aranha que possa existir.

Em segundo lugar, para reconhecer a presença de Cristo ressuscitado precisamos os pés da esperança bem ágeis. Os dois discípulos caminhavam entristecidos, pois tinham a esperança quebrada pela decepção, pelo desânimo e o desengano. “Nós esperávamos  que...”. Cristo, ao se unir a eles no caminho, lhes acelera o ritmo, renova-lhes a esperança com sua presença e sua palavra, e repreende-os com carinho, porque suas expectativas estavam muito distantes dos ideais do Senhor. Dissipa lhes os projetos horizontalistas e temporais, e lhes conduz a uma visão sobrenatural para fazer renascer neles a esperança. E ressuscitou lhes a esperança ao lhes dar uma leitura e exegese espiritual dos acontecimentos daqueles dias, que para eles eram motivo de escândalo e enfraquecia sua esperança. Só então o cristianismo não será um escândalo, nem a cruz uma derrota nem o sangue de Cristo um desperdício desnecessário. Deixemos que Cristo repreenda nossas visões planas e mesquinhas do seu mistério humano-divino, e quebre os grilhões de nossos pés.

Finalmente, para reconhecer a presença de Cristo ressuscitado, precisamos de um coração inflamado em brasas. Só então convidaremos Jesus, como fizeram esses discípulos, a entrar em nossa casa para celebrar sua Páscoa eucarística conosco e partir o seu Pão. Só graças à Eucaristia o ardor divino derreterá o gelo do nosso egoísmo que nos tem petrificados, e dissipará a nuvem de preocupações e pedidos vãos que escurecerem o nosso espírito. A companhia de Jesus eucarístico é sempre santificadora; as comunhões, por mais desolados que estejamos, têm uma eficácia inesperada. “Fica conosco Senhor, porque já é tarde”. Com Jesus Eucarístico tudo se ilumina, os fantasmas e medos fogem. É Jesus, mas transfigurado! Aquela brasa do caminho se converte em uma chama ardente. E Jesus desaparece naquele momento. Quer que passemos da sua presença carnal a sua presença espiritual e eucarística. A ressurreição de Cristo inaugura este tipo de presença. Passemos – é o significado da Páscoa – de uma visão materialista, a uma visão de fé. E com pés ágeis saiamos para anunciar esta boa notícia: “Cristo ressuscitou” para aqueles que vivem nas trevas e na desolação. Cristo ressuscitado derreteu o gelo dos nossos corações e fez dele um fogo abrasador.

Para reflexionar: Por que às vezes acontece na celebração da Eucaristia dominical que os nossos olhos não se abrem para reconhecer Jesus e o nosso coração não arde quando ouvimos as Escrituras? Por que voltamos a casa com o coração perturbado como quando chegamos? Não será porque não temos reconhecido o Senhor na fração do pão e, portanto, não partimos o pão com os nossos irmãos?

Qualquer sugestão ou dúvida entre em contato Pe. Antonio neste e-mail:  arivero@legionaries.org"arivero@legionaries.org