Homilética: XV domingo do Tempo Comum

Comentário do Pe. Antonio Rivero, L.C. sobre a liturgia dominical

São Paulo, (Zenit.org) Pe. Antonio Rivero, L.C. | 466 visitas

Ciclo A

Textos: Is 55, 10-11; Rm 8, 18-23; Mt 13, 1-23

Ideia principal: Diversos tipos diante da Palavra que Deus semeia diariamente no coração.

Resumo da mensagem: O primeiro é torpe, o segundo é aerostático; o terceiro é o cansado; e o ultimo, o bom. Não é problema do semeador, porque Ele é magnifico. Não é problema da semente, que não tem a potencia de germinar e dar fruto. O problema é o terreno onde cai essa semente.

Pontos da ideia principal:

Em primeiro lugar, analisemos o primeiro tipo, o torpe. Homens e mulheres fáceis, superficiais, baratos. Gente que não passa de moda, que sempre se deixa levar pelas circunstancias. É o sensorial, o vulgar que se lança na vida muito fácil ao engano dos sentidos. Pessoas fora de jogo, da realidade, fora de campo, gente sem rumo. Gente que, diante das palavras como religião, compromisso, ativismo, operação testemunha de Deus no mundo... Olham o interlocutor com olhos de quem se pergunta sem noção alguma, o que é isso? Vão pela vida como palhaços de circo na arena, plantando bananeira: de cabeça para baixo e com os pés para cima. E então a escala de valores para elas fica ao contrário. Ou seja, o amor, o dinheiro, o prazer, o êxito, etc. ficam lá encima, e de boca para baixo a honradez, o trabalho, a virtude, a felicidade, Deus. Pessoas religiosamente torpes. A Palavra de Deus chega e rebota, e o primeiro pássaro que passa em voo raso leva no bico a Palavra de Deus.

Em segundo lugar, analisemos o segundo tipo, o aerostático. Homem e mulher inconstantes. Na primeira vez é um entusiasta exemplar, triunfalista na segunda vez e acabado na terceira... Para variar. Ele também não passa de moda. Uma ideia grande, nobre, messiânica... Ele é hidrogênio que se incha, como uma bexiga, bexiga que, sem sacos na terra nem lastre constante na barquinha, se eleva, se cansa, explode e cai em pedacinhos. Perigosos porque se entusiasmam tanto para o bem como para o mal, tanto para a verdade como para o erro; são pólvora, barulho e fumaça, mas não caráter nem vontade nem personalidade nem constância nem maturidade. São heróis por um dia. A inconstância é uma rocha tapizada de húmus: cai a Palavra de Deus e fica, brota espiga triunfal e morre quando o sol cai nas aristas.

Finalmente, analisemos o terceiro tipo, o cansado. É esse que lê o jornal enquanto toma café da manhã, despacha assuntos enquanto vai comendo, fica informado das últimas notícias enquanto janta e, enquanto dorme, planeja os assuntos que vai resolver no dia seguinte enquanto estiver tomando o café da manhã, almoçando e jantando. Gente com tempo para tudo, sem tempo para nada, sem áreas verdes para o espírito, alqueive para abrolhos e cardos borregueiros. Se cair agora, mansa e humilde, a palavra de Deus inspirador e exigente... E a morrer! E agora falta analisar o bom. Tem a sabedoria repousada. Dá a acolhida à Palavra, acolhida que o torpe não deu. Oferece-lhe a seriedade que não lhe deu o aerostático. Tende-lhe a dedicação que não lhe tendeu o cansado. Todos deveríamos ser como o bom. Aqui a Palavra de Deus frutifica segundo a capacidade e os talentos de cada um. E reparte por onde quer migalhas do seu fruto: em casa, no trabalho, na praça, na igreja. E todos felizes. E com essas migalhas alimentamos os necessitados, os pobres e os enfermos.

Para refletir: Qual dos quatro tipos sou eu? Que fruto estou dando na minha vida pessoal, familiar, profissional, laboral, ministerial: cardos, espinhos, pedras, pura folha, galhos secos?

Qualquer sugestão ou dúvida podem se comunicar com o padre Antonio neste e-mail:

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