Homilética: XX domingo do Tempo Comum

Comentário do Pe. Antonio Rivero, L.C. sobre a liturgia dominical

São Paulo, (Zenit.org) Pe. Antonio Rivero, L.C. | 480 visitas

Ciclo A

Textos: Is 56, 1.6-7; Rm 11, 13-15.29-32; Mt 15, 21-28

Ideia principal: Deus em Cristo trouxe a salvação a todos, sem exceção.

Resumo da mensagem: Como devemos nos comportar com aqueles que não são cristãos, que são diferentes de nós, de outro credo, de outra religião, de outros pontos de vista políticos ou sociais? Eles também se salvarão? A Palavra de Deus deste domingo lança luz a este problema que pode dar-se na nossa vida: fora o racismo e o nacionalismo excludente na nossa vida! O racismo não só de raça, mas também de cor, de cultura, de religião, de profissão, de opinião. Deus veio para salvar a todos em Cristo Jesus (segunda leitura). A salvação não é um privilegio nacionalista de alguns que cumprem a lei friamente ou se acham melhores do que outros (primeira leitura). Mas para receber esta salvação, Cristo pede fé e humildade (evangelho), pois Jesus somente salva quem se abre a Ele.

Pontos da ideia principal:

Em primeiro lugar, a primeira leitura é clara: antes de Cristo só existiam judeus, o povo escolhido por Deus, e pagãos, o resto. A tentação dos primeiros- os judeus- foi a de se fechar em si mesmos e considerar todos os outros como imundos, pecadores e excluídos. Pareceria que só eles- os judeus- se salvariam. Mas Isaias já nos deixou hoje uma porta aberta: os estrangeiros podem também aderir-se ao Senhor e servi-lo. Condições? Se aceitam a Lei, podem entrar e formar parte do povo da Aliança, e Deus aceitará os seus sacrifícios e o templo de Deus será a casa de oração para todos os povos. Mas, é suficiente só isto?

Em segundo lugar, o que aconteceu com o povo escolhido por Deus quando chegou Cristo? Não quiseram abrir-se à surpresa de Deus. Se antes estavam fechados para os pagãos, agora se fecham ao mesmo Deus encarnado que veio para trazer a salvação para todos, sem exceção, porque eles esperavam outro tipo de messias, político e grandioso. Para abrir-nos a esta salvação, Cristo no evangelho pede a fé. Por isso louvou essa mulher pagã siro fenícia e lhe concedeu o milagre da cura da sua filha. Mas Cristo a coloca à prova para saber se realmente a sua fé é autêntica e humilde. As palavras duras de Cristo em vez de desanimar essa mulher, fazem mais firme a sua fé e a sua oração humilde: “conformo-me com as migalhas para a minha filha”. Não é a pertença ao povo judeu o que salva, mas a fé no Enviado de Deus. Não é a raça, mas a disposição de cada um diante da oferta de Deus. Cristo hoje louva esta boa mulher, que não é judaica. E ao mesmo tempo que muitas vezes tem que criticar a pouca fé dos “oficialmente bons”, os do povo escolhido, e também nós. Cristo teve que corrigir muitas vezes esse “racismo” que se baseava em que eles eram “filhos de Abraão”. E lhes pedia que fossem seguidores de Abraão, não tanto por herança racial, mas pela fé.

Finalmente, a que nos chama Cristo hoje neste domingo? Fora o racismo, os preconceitos, a discriminação, a mentalidade elitista e exclusiva! Todos nos acostumamos a ter problemas anímicos e problemas de pele na hora de incluir na nossa esfera de convivência pessoas de outra cultura ou religião ou idade, ou aqueles de ideologia política distinta. A primeira reação, diante destas pessoas, é a desconfiança, e com facilidade as discriminamos. A Igreja Católica nos pede um diálogo inter-religioso baseado no respeito e na compreensão para superar os preconceitos. A Igreja nos pede, como disse o Papa Francisco na sua viagem à Terra Santa, o ecumenismo de sangue, porque nas veias de quantos cremos em Cristo- ortodoxos, católicos, anglicanos, luteranos- corre o sangue do Redentor. Não é que todas as religiões são iguais. Mas toda pessoa pode ser fiel a Deus segundo à consciência na que se formou, e pode nos dar exemplos maravilhosos como o exemplo de fé que Jesus louvou naquele mulher cananeia. Não olhemos os forasteiros com suspeitas, nem os jovens com impaciência, nem os adultos com indiferença, nem os pobres com desgosto, nem o terceiro mundo com desinteresse, nem os afastados da fé com autossuficiência, nem os de outro língua ou cultura com receio dissimulado. Cristo, se tem alguma preferencia, é para com os débeis e marginalizados.

Para refletir: Já li os seguintes documentos do Concílio Vaticano II: Unitatis Redintegratio, sobre o ecumenismo, e Nostra Aetate, sobre as relações da Igreja com as religiões não cristãs?  Tenho caridade cristã e amplidão de horizontes nas relações com todas as pessoas, ao mesmo tempo que dou testemunho de fidelidade às minhas convicções religiosas? Como trato os forasteiros, os imigrantes, os desconhecidos, os turistas?

Qualquer sugestão ou dúvida podem se comunicar com o padre Antonio neste e-mail: arivero@legionaries.org