Homilética: XXI domingo do Tempo Comum

Comentário do Pe. Antonio Rivero, L.C. sobre a liturgia dominical

São Paulo, (Zenit.org) Pe. Antonio Rivero, L.C. | 626 visitas

Ciclo A

Textos: Is 22, 19-23; Rm 11, 33-36; Mt 16, 13-20

Ideia principal: a missão de Pedro na Igreja por vontade de Cristo é presidir na caridade.

Resumo da mensagem: o mesmo Senhor foi quem colocou Pedro à frente da sua Igreja. Como resposta a um ato de fé da parte de Pedro, Jesus o louva e lhe anuncia a missão que pensou para ele na primeira comunidade: presidir na caridade. E faz isso com três imagens: a pedra, as chaves, e o ato de atar e desatar.

Pontos da ideia principal:

Em primeiro lugar, Pedro será a pedra sobre a qual Jesus quer edificar a sua Igreja. Para isso, Cristo muda o seu nome: de Simão para Kefas, isto é, Pedra em aramaico, que traduzimos Pedro em grego, e que no Novo Testamento ressoa 163 vezes. Só Jesus e este apóstolo no Novo Testamento recebem tal apelativo: pedra. Pedro a rocha sobre a que estamos fundados, quando sabemos que negou a Cristo? Não. A Rocha é Cristo. Mas Pedro, precisamente pela sua profissão de fé que soube formular com tanta decisão, é o sinal visível desse fundamento sólido que é Cristo. O sentido está claro: Pedro tem na história a missão de fazer visível a função de fundamento, de unidade, de estabilidade de Cristo com relação à sua Igreja. Os crentes em Cristo não estarão dispersos ou isolados, mas se encontrarão juntos ao redor da pedra de Pedro, que no nome de Cristo reúne a Igreja de Deus. Não é uma autoridade de privilegio, mas de serviço no amor. Durante vinte e um séculos esta Igreja foi açoitada pelos ventos, tempestades e ondas imensas: perseguições, heresias, cismas, etc. Porém, continua firme, porque esta Igreja é guiada pelo Espírito Santo e tem como pedra angular a Cristo, o Filho do Deus Vivo.

Em segundo lugar, ademais Cristo lhe dará as chaves dessa comunidade que Cristo quer fundar. A chave de uma casa, de um cofre precioso ou da leitura de um texto, é sinal de uma autoridade em sede jurídica, administrativa ou cultural. As chaves são necessárias para manter fechadas ou abrir no momento oportuno as portas de uma casa. Pedro de agora em adiante será aquele que dispensará os tesouros da salvação; será o canal através do qual a palavra de Cristo será comunicada e interpretada; será o caminho através do qual os dons do amor de Deus serão continuamente e visivelmente infundidos na comunidade cristã. Vinte e um séculos têm pretendido tirar uma copia destas chaves que Cristo concedeu a Pedro nos chaveiros ideológicos do mundo, mas na hora de querer introduzir a chave, não entrava na fechadura desta Igreja una, santa, católica e apostólica.

Finalmente, Jesus concede a Pedro a potestade de atar e desatar, que no judaísmo indicava o ato legal da proibição e da permissão. É a definição de Pedro como guia na moral e, sobretudo, no perdão dos pecados. É uma missão da que participam todos os apóstolos. Missão também de consolar, de admoestar, de exortar, de guiar o povo de Deus. Durante vinte e um séculos alguns quiseram arrogar esta potestade, proclamando que têm linha direta com Deus; outros, de corte liberal e libertino, acreditam que possuem a permissão de fazer o que quiserem, sem necessidade de permissões nem proibições. E assim foi: passarão pelas páginas da história da Igreja como hereges, cismáticos e renegados.

Para refletir: Somos conscientes do que dizemos na oração eucarística de cada missa quando pedimos a Deus que confirme na fé e na caridade o Papa e os bispos em comunhão com ele? Para nós é custoso aceitar o ministério do Papa, sucessor de Pedro? Temos olhos de fé para ver que o seu cargo é assegurar o serviço da fé, da caridade, da unidade, da missão? Cremos firmemente que a Igreja é apostólica, isto è, cimentada sobre Pedro e sobre os outros apóstolos?

Qualquer sugestão ou dúvida podem se comunicar com o padre Antonio neste e-mail:

arivero@legionaries.org