Homilia de Francisco na Casa Santa Marta: a alegria do cristão está na esperança

O Santo Padre nos alerta contra a tristeza da falsa alegria, oferecida pelo mundo e pelo pecado

Cidade do Vaticano, (Zenit.org) Redacao | 808 visitas

Jesus prometeu aos seus discípulos que transformaria a sua tristeza em alegria. Esta promessa esteve no centro da homilia do Santo Padre na missa desta manhã na Casa Santa Marta. Francisco nos recordou que a alegria não pode ser comprada, mas recebida como dom de nosso Senhor.

São Paulo era muito corajoso porque tinha a força do Senhor, mas o papa Francisco nos recordou que, algumas vezes, o Apóstolo dos Gentios também tinha medo. "Acontece com todos nós na vida, um pouco de medo". Nessas horas, nos perguntamos se "não seria melhor baixar um pouco o nível e ser um pouco ‘não tão cristãos’, tentando um compromisso com o mundo". O papa nos lembra que São Paulo sabia que o que "ele fazia não agradava nem aos judeus nem aos pagãos", mas não desistiu e teve que enfrentar problemas e perseguições. Isto "nos faz pensar em nossos medos, em nossos temores". Jesus, no Getsâmani, também teve medo, angústia. Em seu discurso de despedida dos discípulos, Ele diz claramente que o mundo se alegrará com os seus sofrimentos, como aconteceria também com os primeiros mártires no Coliseu.

O papa explicou: "Temos que dizer a verdade: nem toda a vida do cristão é uma festa. Choramos, muitas vezes choramos. Quando você está doente, quando você tem um problema na família com o filho, com a filha, com a mulher, com o marido; quando você vê que o salário não chega ao final do mês e tem um filho doente; quando você vê que não pode pagar a hipoteca da casa e tem que ir embora... Muitos problemas, muitos problemas que nós temos. Mas Jesus nos diz: 'Não tenhais medo! Ficareis tristes, chorareis e as pessoas contrárias a vós se alegrarão".

Mas há também outra tristeza de que o papa falou: a tristeza de trilhar um caminho que não é bom. Quando "vamos a comprar a alegria do mundo, do pecado, no final fica um vazio dentro de nós, fica a tristeza". E esta é a tristeza da falsa alegria.

A alegria cristã é uma alegria na esperança, destacou Francisco.

"No momento da provação, nós não a vemos. É uma alegria que é purificada pelas provações de todos os dias: 'A vossa tristeza se transformará em alegria'. Mas é difícil quando você vê um doente que sofre muito e tenta dizer: ‘Coragem, coragem. Amanhã você vai se alegrar!’. Não, não podemos dizer isso! Temos que fazer com que ele sinta, como Jesus. Nós também, quando estamos na escuridão, quando não vemos nada: 'Eu sei, Senhor, que esta tristeza vai se transformar em alegria. Não sei como, mas sei que vai!’. Um ato de fé em nosso Senhor. Um ato de fé!".

Para entendermos a tristeza que se transforma em alegria, prosseguiu o pontífice, Jesus coloca como exemplo a mulher que dá à luz: "É verdade que no parto a mulher sofre muito, mas depois, quando ela tem o filho no colo, se esquece da dor". Assim é também conosco: o que permanece é "a alegria de Jesus, uma alegria purificada". Esta é a "alegria que permanece".

O Santo Padre observa que essa alegria fica "escondida em alguns momentos da vida; não a sentimos nas horas difíceis, mas depois ela vem: uma alegria na esperança". Esta é a mensagem da Igreja hoje: "Não tenham medo!".

O bispo de Roma terminou a homilia propondo: "Vamos ser valentes no sofrimento e pensar que depois vem nosso Senhor, depois vem a alegria, depois da escuridão vem o sol. Que o Senhor dê a todos nós essa alegria na esperança. E o sinal de que nós temos essa alegria na esperança é a paz. Quantos doentes, que estão no final da vida, com seus sofrimentos, têm essa paz na alma... Esta é a semente da alegria, esta é a alegria na esperança, a paz. Você tem paz na alma na hora da escuridão, na hora das dificuldades, das perseguições, quando todos se alegram com o seu mal? Você tem paz nessas horas? Se você tem paz, você tem a semente da alegria que virá depois. Que nosso Senhor nos ajude a entender essas coisas".