Homilia do Papa: Deus nos salva quando estamos marginalizados; não nos salva na nossa segurança

Nesta manhã, o Papa falou do drama de cumprir os mandamentos sem fé

Roma, (Zenit.org) Redacao | 503 visitas

Não é a segurança de cumprir os mandamentos que nos salva, mas sentir-se tão marginalizado a ponto de precisar da salvação do Senhor. Destacou o Papa Francisco na homilia desta segunda-feira, em Santa Marta, comentando as palavras de Jesus dirigidas aos seus conterrâneos, os habitantes de Nazaré, junto aos quais não pôde fazer milagres porque eles “não tinham fé”.

O Papa recordou dois episódios bíblicos: o milagre da cura da lepra do sírio Naamã, no tempo do profeta Eliseu, e o encontro do profeta Elias com a viúva de Sarepta de Sidônia, que foi salva da penúria. “Os leprosos e as viúvas eram marginalizados naquele tempo”, e mesmo assim, acolhendo os profetas, foram salvos. Já os nazarenos não aceitam Jesus, “porque eles estavam muito seguros de sua fé e não precisavam de outra salvação”. 

E continuou: “é o drama de observar os mandamentos sem fé: 'Eu me salvo sozinho, porque vou à sinagoga todos os sábados, procuro cumprir os mandamentos, mas não venham me dizer que o leproso e a viúva eram melhores do que eu!'. Eles eram marginalizados.”

E Jesus nos disse: “Mas, olhe, se você não se marginalizar, não se colocar à margem, não será salvo’. Esta é a humildade, o caminho da humildade: sentir-se tão marginalizado a ponto de precisar da salvação do Senhor. Somente Ele salva, não o nosso cumprimento dos preceitos. Os nazarenos não gostaram disso, se enfureceram e queriam matá-lo”.

A mesma fúria atinge inicialmente também Naamã, explicou Francisco, porque considera “ridículo e humilhante o convite de Eliseu de banhar-se sete vezes no rio Jordão para ser curado da lepra. O Senhor lhe pede um gesto de humildade, de obediência como o de uma criança, mas ele não aceita, continuou o Papa”. Depois, convencido pelos seus servos, volta e faz o que disse o profeta. Esta é a mensagem de hoje, nesta terceira semana de Quaresma. E afirmou o Pontífice: “Se quisermos ser salvos, devemos escolher a estrada da humildade”.

O Santo Padre aprofundou o raciocínio: “Maria no seu Cântico não diz que está contente porque Deus viu a sua virgindade, a sua bondade e a sua doçura, tantas virtudes que ela tinha, mas porque o Senhor viu a humildade da sua serva, a sua pequenez, a humildade. É isso que o Senhor vê. E devemos aprender esta sabedoria de marginalizar-nos, para que o Senhor nos encontre. Não nos encontrará no centro das nossas certezas, não. O Senhor não vai ali. Ele nos encontrará na marginalização, nos nossos pecados, nos nossos erros, nas nossas necessidades de sermos curados espiritualmente, de sermos salvos; ali o Senhor nos encontrará”. E reiterou o Santo Padre: “E este é o caminho da humildade”.

Francisco explicou que a humildade cristã não é a virtude de dizer: “‘Mas, eu não sirvo para nada’ e esconder a soberba ali, não, não. A humildade cristã é dizer a verdade: ‘Sou pecador, sou pecadora’. Dizer a verdade: esta é a nossa verdade. Mas há outra: Deus nos salva. Mas nos salva lá, quando estamos marginalizados; não nos salva na nossa segurança.”

Por fim, concluiu o Papa: “Peçamos a graça de ter esta sabedoria de marginalizar-nos, a graça da humildade para receber a salvação do Senhor”.

(MEM)